Economia porque?

Sabe aquela coisa de fazer jornalismo justamente por gostar de ler e escrever e ter dificuldades com matemática? Pois bem, este foi um dos motivos [além da paixão incondicional pelo ato de noticiar] que me levaram a escolher o jornalismo. No entanto, menos de um ano após a formatura me deparei com uma vaga em um jornal especializado na cobertura da economia de Minas Gerais. Três anos se passaram desde então. De lá para cá aprendi não só a gostar de [alguns] números, como também passei a entender melhor algumas [poucas] questões que norteiam o nosso dia-a-dia. Por isso estou aqui: para tentar clarear um pouco para você também, falando sobre a economia de Minas Gerais. Seja por meio de minhas apurações, matérias e descobertas ou dados e informações econômicas relevantes fornecidos por colegas da área.

Boa leitura!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Confins

Está parecendo novela já, né? Mas a notícia desta vez é das boas: o governo federal marcou a data para o leilão do Aeroporto de Confins. Está marcada para 31 de outubro, a concorrência que vai definir a concessão do terminal, juntamente com o Aeroporto do Galeão, no Rio.

Leia mais na matéria.

Leilões dos terminais mineiro e do Galeão a serem entregues à iniciativa privada ocorrerão em 31 de outubro .
INFRAERO/DIVULGAÇÃO
O número de contratações em Minas Gerais teve leve recuo de 0,2% ante maio
 
Os leilões de concessão à iniciativa privada do Aeroporto Internacional Tancredo Neves (AITN), em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, já têm data para acontecer: 31 de outubro. Até lá, o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa os editais, os contratos e os estudos de viabilidade técnica acerca dos processos e poderá apresentar sugestões ou mudanças nos documentos.

De acordo com informações da Secretaria de Aviação Civil (SAC), mesmo que o TCU apresente quaisquer modificações, é possível que isso ocorra bem antes da data prevista, de maneira que não prejudique o andamento do processo de concessão. Os documentos foram repassados ao órgão no último dia 1º e o prazo de análise é de até 45 dias. Além disso, conforme a SAC, normalmente, o Tribunal cumpre o papel antes do fim do período estipulado.

As expectativas acerca dos benefícios que a concessão poderá trazer ao principal aeroporto de Minas Gerais são grandes. Na avaliação do subsecretário de Estado de Investimentos Estratégicos, Luiz Antônio Athayde, o anúncio da data da concorrência torna o processo ainda mais real para os mineiros.

"A concessão do aeroporto dará ao Estado posição significativa em relação ao Sudeste e ao Brasil, já que o tornará mais competitivo na atração de empresas de alta tecnologia e de maior valor agregado", diz. Ele destaca ainda que o operador privado deverá trabalhar em função da demanda futura, e que isso o obrigará a antecipar os investimentos no terminal.
ALISSON J. SILVA
Athayde: anúncio da data do pregão torna processo mais real para os mineiros
Athayde: anúncio da data do pregão torna processo mais real para os mineiros
Modificações - Nas últimas semanas, o governo federal, por meio da SAC, realizou algumas modificações nas regras das concessões. Uma delas referente ao valor mínimo de outorga do terminal mineiro, que foi reduzido de R$ 1,56 bilhão para R$ 994 milhões. Segundo informações da própria Secretaria, a redução do preço de entrada de Confins está associada a maior necessidade de investimento por parte da empresa que for assumir o terminal. Se antes era esperado que o consórcio teria que aportar R$ 3,2 bilhões no terminal, a estimativa do governo passou a ser de R$ 3,6 bilhões.

Já no caso do Galeão, o lance mínimo subiu de R$ 4,65 bilhões para R$ 4,73 bilhões. Em termos de investimentos, neste caso, não deverá mais ser de R$ 5,2 bilhões e sim R$ 5,8 bilhões.

Outra mudança ocorreu no sentido de amenizar as insatisfações quanto à versão inicial do edital e tornou as empresas que ganharam outras licitações no país aptas a participar da concorrência. A participação, no entanto, será limitada a 15% do consórcio que administrará os terminais. Isso para evitar que os grupos sejam os controladores dos aeroportos e que haja concentração dos terminais nacionais nas mãos de um mesmo grupo.

Além disso, o governo retirou do edital o prazo para a construção da terceira pista de pouso do Galeão, que deveria entrar em operação em 2021. Já a segunda pista de Confins ficou mantida em 2020.

Outra mudança nos editais é que a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que terá participação de 49% no negócio, terá que acompanhar o sócio privado (51%) nos aportes iniciais de capital, antes da assinatura do contrato. A previsão inicial para a estatal era de 30% do capital necessário e subiu para 50%.
MARA BIANCHETTI

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Indústria

E a indústria de Minas, hein?



Parque estadual acumulou perda de 0,7% no primeiro semestre deste ano ante 2012.
ALISSON J. SILVA
A indústria mineira registrou oscilações ao longo do primeiro semestre
A indústria mineira registrou oscilações ao longo do primeiro semestre
Após registrar crescimentos, mesmo que leves, durante os últimos três meses, a produção industrial mineira voltou a cair em junho. Em relação ao mês imediatamente anterior foi observado recuo de 0,8%, enquanto frente a igual período do ano passado a queda foi ainda mais intensa e chegou a 1,4%.

Com isso, o parque industrial do Estado acumulou perda de 0,7% no primeiro semestre deste ano na comparação com a primeira metade de 2012. Contudo, as expectativas são de que o ano se encerre de forma positiva para o setor em Minas Gerais, já que no acumulado dos últimos 12 meses o índice ainda encontra-se positivo em 1,8%.

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os principais destaques negativos no Estado foram os setores de produtos de metal, outros produtos químicos e veículos automotores.

Em âmbito nacional, além de Minas Gerais, três outros estados apresentaram resultados negativos: Paraná (-3,0%), Goiás (-2,3%) e Amazonas (-2,2%). Por outro lado, 10 dos 14 locais pesquisados registraram expansão na produção: Pará (5,9%), Rio Grande do Sul (3,9%), Bahia (3,1%), Santa Catarina (2,9%), São Paulo (2,9%), Rio de Janeiro (2,3%), Região Nordeste (1,8%), Ceará (1,7%), Pernambuco (1,5%) e Espírito Santo (1,2%). Assim, a média brasileira apresentada no período foi de 3,1%.

O analista do IBGE Minas, Antônio Braz de Oliveira e Silva, ressalta que apesar de o resultado da indústria mineira ainda se encontrar positivo nos últimos 12 meses, as oscilações registradas ao longo do primeiro semestre comprometem o desempenho do Estado. Ainda assim, conforme ele, é este o cenário que deverá ser mantido daqui para frente e, inclusive, garantir que não haja perdas no acumulado do exercício.

"Diante do baixo dinamismo da economia, as perspectivas não são muito favoráveis. Ao final de 2013 o setor deverá registrar crescimento, mas em nível inferior ao projetado no início do ano, da ordem de 2,5%", diz.

Reversão - Ainda conforme Silva, essa situação dificilmente poderá ser revertida, mas nada impede que seja melhorada. "Pode ser que com o dólar mantendo um bom nível alguns setores retomem sua vantagem com as exportações. Este é o caso da indústria automotiva", explica.

Quando considerados os setores, no índice mensal, o recuo de 1,4% na produção industrial mineira se deve aos resultados da indústria extrativa (-4,1%) e da indústria de transformação (-0,9%).

Em se tratando especificamente do primeiro grupo, o presidente do Conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), José Mendo Mizael, lembra que, diante da situação complicada em que se encontram tanto a economia nacional quanto a internacional, as maiores expectativas do setor se voltam para investimentos na infraestrutura do país, que o governo federal tem anunciado.

Para ele, apenas quando os planos de reestruturação de rodovias, ferrovias, aeroportos, portos e demais esferas realmente saírem do papel é que novo fôlego poderá ser dado a diversos setores da indústria brasileira, inclusive a extrativa. " preciso não só anunciar medidas, mas também atrair investimentos. Enquanto isso não acontecer, a situação vai continuar como está", critica.

Transformação - Quanto à indústria de transformação, sete dos 13 setores pesquisados apresentaram índices negativos, sendo que as principais retrações sobre a média da indústria no Estado vieram dos segmentos: produtos de metal, exclusive máquinas e equipamentos (-10,5%), outros produtos químicos (-8,2%) e veículos automotores (-8%). Os resultados positivos neste tipo de comparação vieram da indústria de máquinas e equipamentos (22,2%), refino de petróleo e álcool (11,9%) e fumo (7,5%).

Ainda conforme o levantamento, no primeiro semestre, somente a indústria de transformação não apresentou resultado negativo em Minas e teve crescimento de 0,4%. A indústria geral e a extrativa mineral, na outra ponta, tiveram recuo de -0,7% e -6,7%, respectivamente. Já nos últimos 12 meses os índices foram de 1,8%, -2,1% e 2,5%, nesta ordem.


MARA BIANCHETTI

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Café

Não é do meu costume escrever sobre agronegócios, pois o DIÁRIO DO COMÉRCIO possui uma repórter para a editoria. Porém, em sua ausência, durante esta semana, foi dada a mim a missão de acompanhar o tão esperado anúncio, por parte do governo federal, de medidas que tentarão ajudar o setor cafeeiro, em meio à crise que tem vivido. Pois bem, no dia 07 de agosto, em Varginha, a própria presidente anunciou três ações: contratos de opção de venda de 3 milhões de sacas do grão, com preço unitário de R$ 343 e vencimento em março de 2014; liberação de linhas de crédito para financiar a estocagem e garantir o preço mínimo do grão.

Abaixo, minha matéria sobre a repercussão das medidas, junto aos produtores de Minas Gerais.


Medidas anunciadas em Varginha chegam em um momento de extrema volatilidade da cotação do grão.
ALEXANDRE GUZANSHE
Mesquita ainda está preocupado com a falta de competitividade da cafeicultura de montanha
Mesquita ainda está preocupado com a falta de competitividade da cafeicultura de montanha

As medidas anunciadas pela presidente Dilma Rousseff em Varginha, no Sul de Minas, para o setor cafeeiro chegam em um momento de extrema volatilidade da commodity e prometem dar novo fôlego ao setor. Apesar de positivos, o programa de contratos de opção de venda para 3 milhões de sacas de café, bem como os recursos para financiamento de estocagem e custeio da safra representam ações emergenciais para a cafeicultura brasileira e mineira, que continuará sofrendo com problemas estruturais no médio e longo prazos.

A avaliação foi feita pelo presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e da Comissão de Café da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Breno Mesquita. Segundo ele, o anúncio por parte do governo federal atendeu de forma positiva ao pleito do setor, que há algum tempo vem sofrendo com uma crise, principalmente, em virtude da defasagem dos preços nos mercados interno e internacional.

"De modo geral, o anúncio foi muito positivo. O único ponto que divergiu um pouco do que estávamos pedindo foi o valor estabelecido para saca, que acabou ficando um pouco abaixo. Pedimos R$ 360 e foi aprovado R$ 343. No entanto, o mais interessante é que além do programa de recuperação de preços veio também um aporte de recursos para estocagem que vai permitir com que o produtor, nesse momento de preços baixos, possa financiar seus negócios e esperar a recuperação do mercado", explica.


Contratos - O governo autorizou o lançamento de contratos de opção de venda de 3 milhões de sacas do grão, com pagamento de R$ 343 para cada uma e vencimento em março de 2014. Com o documento, o produtor garante a comercialização antecipada da safra ao governo e a data de vencimento futura permite também que ele venda sua safra no mercado, caso encontre preço melhor.

Outra medida diz respeito à liberação de crédito para financiar a estocagem de café até que os preços de venda ao mercado melhorem. Assim, os cafeicultores não precisam comercializar imediatamente a produção, porque vão dispor de recursos para manter estocada na expectativa de aumento de preço da safra nos próximos meses.

Também na ocasião, Dilma anunciou a liberação de recursos para a política de preço mínimo para compra do grão, o que beneficia diretamente os pequenos produtores. "São esses os melhores mecanismos para fomentar o mercado e tirar o setor da situação lamentável em que se encontra. A expectativa agora é que o mercado reaja, trazendo alguma melhoria à cafeicultura brasileira", disse.

Em relação aos problemas estruturais, Mesquita elenca a falta de competitividade da cafeicultura de montanha, que no caso de Minas Gerais representa mais da metade do parque cafeeiro; as normas de rotulagem; e o problema da geada que afetou recentemente o Paraná. "São assuntos que ainda precisam ser tratados. Embora estejamos satisfeitos com as medidas anunciadas pela presidente, vamos nos reunir com membros do governo federal em breve e pedir novas soluções", completa.

MARA BIANCHETTI

domingo, 4 de agosto de 2013

Aeroportos regionais

Já falei aqui em outras oportunidades, do projeto do governo federal de investir R$ 7,3 bilhões nos chamados aeroportos regionais - aqueles que ficam nas cidades do interior do Brasil. Cerca de 270 aeroportos de pequeno porte receberão os aportes em infraestrutura. Minas Gerais é o Estado com o maior número de terminais a receber inversões. Ao todo serão 33 unidades, que receberão R$ 815 milhões. Paralelo a isso, Para isso, o modelo de concessão adotado no Aeroporto de Goianá, na Zona da Mata, poderá ser aplicado em outros 92 terminais mineiros, por meio de PPPs. Quer saber mais? Leia abaixo.



Projeto-piloto se encontra em fase de estudos e poderá ser aplicado em outros 92 aeroportos mineiros .
INFRAERO/DIVULGAÇÃO
O Aeroporto de Goianá, na Zona da Mata, já conta com a experiência de uma administração terceirizada
O Aeroporto de Goianá, na Zona da Mata, já conta com a experiência de uma administração terceirizada
O governo de Minas Gerais estuda a possibilidade de adotar, nos aeroportos do interior do Estado, o modelo de concessão que se encontra em operação desde 2010 no Aeroporto Regional da Zona da Mata, localizado em Goianá, a cerca de 35 quilômetros de Juiz de Fora. O projeto-piloto se encontra em fase de estudos por parte da Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) e poderá ser aplicado em outros 92 terminais mineiros.

Conforme nota enviada pela secretaria, trata-se de um trabalho em fase preliminar que, caso avance, fará com que parcerias público-privadas (PPP) sejam realizadas para a gestão dos aeroportos. Neste caso, como o Aeroporto de Goianá já conta com a experiência de uma administração terceirizada e está sob responsabilidade da Pasta, já teria sido o primeiro a experimentar o modelo de concessão.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) - Regional Zona da Mata, Francisco Campolina, isso significa não só um avanço no sistema aeroportuário do Estado, mas também uma vitória para as lideranças da Zona da Mata. Ele lembra que há cerca de 10 anos, quando a ideia de gestão compartilhada para o terminal foi proposta, foram recebidas mais críticas do que apoio.

"Vencemos pelo cansaço e pela insistência de que o projeto iria beneficiar nossa região. Foi feita uma tomada pública e a Multiterminais Alfandegados Ltda venceu. Desde que o contrato foi assinado a empresa vem fazendo um trabalho excepcional e agora querem levar a experiência para o restante de Minas", comemora.


Contrato - Ele lembra que o contrato com a Multiterminais se encerra em pouco mais de um ano e que, com o término, a diferença será no tempo de exploração. "O acordo com ela prevê a gestão por até cinco anos e nessa PPP que está sendo estudada, o período poderá chegar a 25. De qualquer maneira, o modelo vai continuar assim: o governo investe na infraestrutura básica e a empresa, por sua vez, nas adequações necessárias aos serviços que deseja oferecer, como aconteceu em Goianá", diz.

Desde que assumiu as operações no terminal, em meados de 2010, além do valor do contrato de R$ 6,3 milhões por ano, a Multiterminais investiu outros R$ 5 milhões em diversos tipos de adequações, compra de equipamentos e capacitação de mão de obra. Já entre as inversões por parte do governo de Minas, destacam-se os R$ 51 milhões em obras de pavimentação da estrada de acesso ao terminal, anunciados em março deste ano.

O aeroporto está em operação desde o final de agosto de 2011 e foi inaugurado oficialmente três meses depois. Já a licença de operação de pousos e decolagens noturnos por instrumento foi obtida em setembro do mesmo ano. O licenciamento foi considerado o ponto de partida para a operacionalização do terminal comoáhub logístico.

A pista do ARZN é a segunda maior do Estado, atrás apenas da pista do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), com 2,6 mil metros de extensão e 45 metros de largura, o que o empreendimento ideal para operações noturnas. Além disso, a principal vocação do aeroporto está no segmento industrial.

Cargas - No fim de julho, a Receita Federal autorizou a implantação de um terminal de cargas alfandegado. Esta era a única pendência para a chamada internacionalização do aeroporto. A expectativa é de que as operações tenham início dentro do prazo máximo de 90 dias.
MARA BIANCHETTI

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Minas Gerais

Como alguns de vocês devem saber, na quarta-feira, o governo de Minas anunciou uma série de medidas para cortar os gastos públicos estaduais. Coincidência ou não, ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor's reafirmou as notas atribuídas ao Estado em 2012. Para o economista, Paulo Ângelo de Souza, isso significa que os gestores de Minas estão no caminho certo.

Veja mais detalhes a seguir.




Um dia após o governo de Minas Gerais anunciar uma série de medidas para redução de custos e racionalização da máquina pública estadual, a agência de classificação de risco Standard & Poor´s reafirmou a nota atribuída ao Estado em 2012. Na escala global foi mantido o rating BBB- e na nacional brAAA, com perspectiva estável, mantendo a classificação do Minas no grau de investimento (investiment grade).

Segundo o informe da agência, Minas Gerais continua sendo um dos principais motores da economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas é estimado em 9,3% do PIB Brasil e a economia do Estado cresceu 2,3% em 2012, ante a taxa de crescimento nacional de 0,9%. Assim, para a Standard & Poor´s, desde 2003, Minas Gerais tem sido o Estado que mais fortemente contribui para o crescimento do PIB nacional.

Também na análise, a S&P destacou a qualidade de crédito do Estado, que tem refletido seu bom desempenho orçamentário nos últimos cinco anos, além da alta proporção de fontes de receitas próprias e o sólido gerenciamento financeiro.

Na avaliação do presidente do Instituto Mineiro de Mercado de Capitais (IMMC), Paulo ngelo Souza, tais critérios pesam consideravelmente em uma classificação de riscos e a atuação adotada não só pelo atual governo, mas também pelo anterior, têm sido fundamentais para este reconhecimento. Ele destaca que poucos estados têm atingido o nível de Minas Gerais.

"O governador Antonio Anastasia e sua equipe estão no caminho certo. Mais do que isto, a população também está, pois atingimos tamanho nível de cobrança por parte das pessoas que, daqui para frente o governante que assumir a gestão do Estado terá que fazer igual ou melhor ao atual. Os representantes políticos ruins estão ficando cada vez mais acuados", afirma.

Para Souza, o fato de a classificação de riscos da S&P sair no dia seguinte em que foi anunciado pelo governo inúmeras medidas de contenção de gastos na máquina pública vem para reafirmar não só o nível da gestão pública estadual nas escalas, mas também para indicar a manutenção desse tipo de ação. " uma disposição de fazer um uso eficiente do dinheiro público, de maneira correta e isenta. Todo mundo, em todas as esferas públicas deveriam fazer, mas lamentavelmente, o governo federal, por exemplo, não faz", diz.

A reafirmação do nível de risco do Estado também pesa quando o assunto é investimento. Neste sentido, o especialista ressalta que, dentre outros quesitos, o investidor olha a segurança do local onde seu dinheiro será aplicado. " claro que conta a matéria-prima, o mercado e a mão de obra. Mas só isso não é suficiente. Não basta.  preciso considerar a seriedade do governo, se os recursos são alocados nas fronteiras sociais, em segurança, educação e saúde. Para isso, é preciso que se tenha gestores sérios, que cumprem o que prometem", conclui.


MARA BIANCHETTI

Novos Shoppings em Minas Gerais

Que a economia de Minas Gerais tem seus diferenciais todo mundo já sabe. Mas que essas características vão além da indústria da transformação e extrativa, talvez nem todos estejam por dentro. Comércio e serviços são dois setores com grande potencial. Pesquisa realizada pelo IBOPE reafirmou isso. O estudo destacou 10 regiões do país com maior aptas a receberem seu primeiro shopping center. Ubá e Conselheiro Lafaiete, apareceram entre elas. 

Entenda mais e o porquê no texto abaixo.

Publicada em 02-08-2013



Conselheiro Lafaiete e Ubá estão entre as cidades mais atrativas.
PREFEITURA/DIVULGAÇÃO
Conselheiro Lafaiete aparece em segundo lugar
Conselheiro Lafaiete aparece em segundo lugar
Minas Gerais, a terceira economia do país, tem potencial de crescimento em outras áreas que não somente as indústrias extrativa e de transformação. Os setores de comércio e serviços também são promissores dentro do Estado e possuem espaço de sobra para receber investimentos, principalmente por meio da construção de shopping centers. Atualmente, Minas conta com 43 empreendimentos do tipo em operação e deverá encerrar 2013 com pelos menos 50 em funcionamento.
As informações são do coordenador estadual da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Durleno Barbosa de Rezende. Segundo ele, apesar de a tendência de interiorização do setor ser vista em todo o território nacional, as cidades mineiras, especialmente, apresentam perfis adequados a esse tipo de consumo, principalmente no que se refere a cidades consideradas polos.

"Quando se fala em investimento na construção de um shopping, não quer dizer que será de um porte específico ou com atuação direcionada a um público só. Pelo contrário, antes são feitas pesquisas, adequações e análises da demanda da região, de forma que o empreendimento atenda as necessidades existentes naquele local", explica.
Rezende ressalta que em Minas Gerais essa tendência já pode ser confirmada pela chegada de grandes empreendimentos do tipo em cidades como Uberaba, Uberlândia (Triângulo), Varginha (Sul), Divinópolis (Centro-Oeste), Sete Lagoas (Central) e Juiz de Fora (Zona da Mata). No entanto, ele pondera que ainda que a expectativa de inaugurações até o fim deste ano seja alta, se comparada aos anos anteriores, o número continua baixo diante das oportunidades que o Brasil oferece.
"Não podemos dizer que as grandes cidades estão saturadas, mas nelas, o mercado já é bem disputado.  preciso avançar para o interior e absorver o potencial que existe ali", diz. Para se ter uma ideia, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que apenas 6,3% dos municípios do país contam com malls.

Dessa maneira, a Atlas de Shopping, ferramenta de análise do setor de shopping center do Ibope Inteligência, elencou as dez regiões com o maior potencial para receber seu primeiro shopping center no Brasil. Das dez primeiras posições, duas são ocupadas por cidades mineiras: Conselheiro Lafaiete (Campos das Vertentes) e Ubá (Zona da Mata).

Conselheiro Lafaiete apareceu em segundo lugar no ranking nacional, com demanda de consumo anual para shopping de R$ 1,05 bilhão de Índice de Produtividade de 239, sendo que um indicador acima de 110 pontos sinaliza um mercado carente e com boas condições para receber novos empreendimentos.

A pesquisa enfatizou que outros 12 municípios no entorno da cidade seriam beneficiados com a instalação de um centro de compras em Conselheiro Lafaiete e que uma população de 317.196 mil pessoas seria atingida. As outras cidades são: Casa Grande, Congonhas, Cristiano Otoni, Entre Rios de Minas, Itaverana, Jeceaba, Ouro Branco, Ouro Preto, Queluzito, Santana dos Montes e São Brás do Suaçuí.

A outra cidade mineira que apareceu na lista do Ibope foi Ubá, na sétima colocação nacional, com 161 pontos. Neste caso, o potencial de consumo anual para shopping foi revelado em R$ 761,214 milhões. A quantidade de municípios beneficiados chegaria a 15 e a população a 260.799 mil pessoas.

Neste caso, as cidades seriam: Astolfo Dutra, Divinésia, Dores do Turvo, Guidoval, Guiricema, Paula Cândido, Piraúba, Rio Pomba, Rodeiro, São Geraldo, Senador Firmino, Silveirânia, Tocantins e Visconde de Rio Branco.

Para selecionar os municípios, o Ibope Inteligência utilizou como critério cidades entre 100 mil e 350 mil habitantes, municípios do interior que não possuem shopping e que não fazem parte de regiões metropolitanas ou centros regionais, mas que possuem poder de atração de consumo sobre cidades vizinhas.


MARA BIANCHETTI

segunda-feira, 1 de julho de 2013

DC Cidades

O Diário do Comércio lançou o "DC Cidades", produto editorial que conta com a parceria da Federaminas Minas Gerais. O objetivo é apresentar o potencial econômico dos municípios mineiros, como Taiobeiras, no Norte de Minas, que abre a série de reportagens. http://ow.ly/mnlSG Juntamente com o chefe de reportagens e o diretor tive a oportunidade de conhecer essa cidade surpreendente e publicar no jornal um trabalho completo com as particularidades da região.

Confira!





quinta-feira, 6 de junho de 2013

MEIO AMBIENTE

Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, o DIÁRIO DO COMÉRCIO, publicou uma série de reportagens especiais sobre o assunto na última quarta-feira. Eu e Rafael Tomaz fomos responsável pela produção de matérias que abordassem a o papel da indústria e do agronegócio na conservação do meio ambiente, por meio de práticas sustentáveis. Minhas matérias especificamente, trataram sobre crédito de carbono no agronegócio. Especialistas me explicaram que, ao contrário da indústria, a prática ainda não chegou no campo.

Quer saber mais sobre isso? Leia abaixo.

Publicada em 05-06-2013


Prática é promissora para o agronegócio e pode ultrapassar no Brasil a casa dos US$ 50 bilhões até 2030 .
Apesar de o mercado de créditos de carbono já ser uma realidade na indústria, no agronegócio a prática ainda não faz parte da rotina. Especialistas acreditam que o segmento é promissor para os negócios, que podem ultrapassar no Brasil a casa dos US$ 50 bilhões até 2030. No entanto, ressaltam que muito ainda precisa ser feito para que ele se transforme em alternativa de renda para os empresários do setor. Em Minas Gerais, as atividades de silvicultura e suinocultura são as mais avançadas nesta área.
De acordo com o engenheiro agrônomo, especialista em integração lavoura-pecuária-floresta e sistemas de plantio direto, Ronaldo Trecenti, no âmbito nacional o uso dos créditos de carbono no campo são apenas projeto. Conforme ele, um ou outro já está sendo executado em termos de plantio florestal, dejetos suínos ou avicultura, por parte de grandes empresas. Mas os pequenos e médios agricultores, mesmo fazendo plantio direto ou integração entre as atividades, ainda não conseguem o crédito.
"As tratativas precisam ser lapidadas, a começar pela medição da quantidade de carbono que é sequestrada do meio ambiente, porque isso varia de acordo com a propriedade, região ou atividade. Além disso, é preciso também estabelecer uma metodologia para que haja maior credibilidade do trabalho, o que gera muita burocracia. O processo precisa ser, ao mesmo tempo, completo, preciso e prático e isso tem dificultado", explica.
Longo prazo - Por isso, ele admite que este cenário, com um mercado estabelecido, somente será possível no longo prazo, entre 20 anos e 50 anos. "Isso ocorrerá também na medida que os serviços ambientais passarem a ser mais demandados e reconhecidos pela sociedade. Precisamos mensurar, quantificar e acreditar que estamos gerando serviço ambiental. Por enquanto, estamos fazendo por fazer. Mas ao passo em que os recursos ambientais forem acabando, vamos valorizar mais quem faz", completa.


CARLOS ALBERTO/SECOM-MG
Crédito de carbono pode gerar US$ 50 bilhões à agropecuária até 2030
Crédito de carbono pode gerar US$ 50 bilhões à agropecuária até 2030
Mesmo assim, o especialista é otimista e afirma que o país já conta com tecnologias interessantes que trabalham a questão ambiental e reduzem a emissão de gases de efeito estufa. São elas: plantio direto, integração entre lavoura-pecuária-floresta e uso de dejetos animais. Inclusive, algumas em estágio bastante avançado, como plantio direto e fixação biológica de nitrogênio. Mas os demais precisam ser ampliados. "O potencial é enorme", diz.

Ele lembra que o governo federal criou, em 2009, o Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), com o objetivo de buscar alternativas de baixa emissão de carbono, visando assegurar a adoção de tecnologias que proporcionem a recuperação da capacidade produtiva dos solos, o aumento da produtividade e a redução da emissão de gases.

Metas foram estabelecidas a serem cumpridas até 2020. Entre elas a recuperação de uma área de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas; adoção do sistema de integração lavoura-pecuária-floresta em 4 milhões de hectares; ampliação do uso do sistema plantio direto em 8 milhões de hectares; e incremento do plantio de florestas econômicas em 3 milhões de hectares. "O programa caminha, mas caminha devagar. E neste ritmo não será possível cumprir as metas até 2020", alerta.

O secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Paulo Romano, concorda que as práticas de créditos de carbono no campo ainda são inexpressíveis, exceto por algumas empresas que trabalham de maneira integrada com a indústria. Conforme ele, os destaques na agropecuária de Minas, quando o assunto é crédito de carbono, são a suinocultura e a silvicultura.


DIVULGAÇÃO/ARCELOR MITTAL/DIVULGAÇÃO
Em Minas, a atividade de silvicultura é uma das mais avançadas nas negociações de créditos de carbono
Em Minas, a atividade de silvicultura é uma das mais avançadas nas negociações de créditos de carbono
Estímulos - Paulo Romano também destaca que faltam estímulos ao produtor e metodologia de ação. Para ele, este é o principal motivo de o processo estar atrasado no Brasil. "No Estado, o governador até chancelou uma metodologia de indicadores de sustentabilidade em agrossistemas, que permite um pouco dessa dimensão para os serviços ambientais. Mas ainda sem compensações", revela.
Além disso, o secretário-adjunto cita o Bolsa Verde, que apoia a conservação da cobertura vegetal nativa em Minas Gerais, mas admite que o mesmo não tem a dimensão que se pretende atingir quando se fala em emissão de gases do efeito estufa. " um exemplo de que é possível, mas que está longe de atender", admite.

Neste sentido, Paulo Romano reitera que é preciso que as políticas públicas partam das esferas nacional, estadual e municipal, sem muita dependência das decisões internacionais. "Mais do que tudo isso, é preciso difundir a questão para que o agricultor entenda, de uma vez por todas, que com essas práticas ele não está apenas contribuindo para com a biosfera. Antes disso, ele é um beneficiado", conclui.

MARA BIANCHETTI

Publicada em 05-06-2013


O crédito de carbono é um certificado eletrônico que é emitido quando há diminuição da emissão desses gases, que contribuem para o aquecimento global. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) que deixou de ser jogada na atmosfera. Aos outros gases reduzidos são emitidos créditos, utilizando-se uma tabela de equivalência entre cada um dos gases e o CO2.
DIVULGAÇÃO
Paulo Romano, da Seapa
Paulo Romano, da Seapa
Estes créditos geralmente são comprados por empresas do exterior que, em função do Protocolo de Kyoto, têm metas obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa, mas não conseguem atingir o patamar determinado. A compra dos créditos permite que estas nações mantenham ou aumentem suas emissões.
O mercado deste tipo de crédito foi criado em 1997 devido à crescente preocupação com o meio ambiente, que levou os países integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU) a assinarem um acordo que estipulasse o controle sobre as emissões de gases que provocam o efeito estufa. O Protocolo de Kyoto determinava que os países desenvolvidos reduzissem, entre 2008 e 2012, suas emissões de gases de efeito estufa em 5,2% relativas a 1990.
No fim do ano passado o compromisso foi renovado até 2020. No entanto, Japão, Rússia, Canadá e Nova Zelândia se recusaram a assiná-lo, porque queriam que países emergentes como Índia, China e Brasil também tivessem metas a cumprir, o que não é previsto pelo documento. Já os EUA nunca aprovou o protocolo. Assim, o grupo comprometido com as metas se reduziu a 36 países, que respondem por 15% do total de emissões em todo o mundo.
E para o cumprimento das metas foram criados mecanismos de flexibilização, já que grande parte dos poluidores não consegue reduzir as emissões sem comprometer a produção industrial e agropecuária, o que impactaria a economia. Neste caso, para o cumprimento das metas, as nações podem comprar créditos de outras que possuam projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Em Minas, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) é responsável pela orientação quanto às práticas sustentáveis. Segundo o gerente de Energia e Mudanças Climáticas da Feam, Felipe Santos de Miranda Nunes, o papel do órgão no processo de aprovação dos projetos de MDL se limita a avaliar a efetividade da contribuição do projeto para o desenvolvimento sustentável da região, criticar e sugerir adaptações, devido às normas mundiais criadas pelo ONU para que as empresas possam participar do projeto. (MB)

Publicada em 05-06-2013

DIVULGAÇÃO
Outro importante segmento do agronegócio com perspectivas favoráveis em Minas Gerais é a suinocultura
Outro importante segmento do agronegócio com perspectivas favoráveis em Minas Gerais é a suinocultura



Em Minas Gerais, quando o assunto é crédito de carbono é impossível não pensar na Plantar Carbon, empresa do Grupo Plantar, sediada em Belo Horizonte. Ela foi a primeira a investir no projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) no país, em parceria com o Fundo de Protótipo de Carbono (PCF), do Banco Mundial (Bird). O projeto visa reduzir emissões de gases de efeito estufa por meio da substituição do uso do carvão mineral por biomassa renovável nos processos siderúrgicos.
Entre as ações do projeto estão o reflorestamento de áreas degradadas com florestas plantadas para a produção de carvão vegetal renovável, mitigação de emissões de metano na produção do carvão e utilização do mesmo como agente termorredutor no processo de produção de ferro, em substituição ao coque de carvão mineral. A cada três hectares reflorestados, aproximadamente um hectare de área de preservação natural é mantido.

Conforme o superintendente da Plantar Carbon, Fábio Nogueira de Avelar Marques, o projeto pioneiro permitiu à empresa estabelecer novos plantios de biomassa dentro de um sistema novo de redução de minério de ferro. O plantio começou em 2000 e em 2007, com a maturidade das árvores, a empresa se tornou a primeira no mundo capaz de produzir ferro totalmente baseado no uso de carvão vegetal renovável, com diversos benefícios adicionais ambientais e sociais.

"Se naquela época esse tipo de iniciativa já era importante, imagine agora. As empresas precisam se empenhar agora neste tipo de trabalho. Se deixarem para o futuro correrão risco de a questão passar de oportunidade para ameaça. Principalmente porque um projeto deste tipo tem sua maturação equivalente à de uma árvore e não se faz da noite para o dia", explica.

Outro segmento do agronegócio do Estado com perspectivas favoráveis ao crédito de carbono é a suinocultura, por meio dos dejetos dos animais, que são transformados em biogás. O produtor e diretor da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), João Bosco Martins, explica que o trabalho é feito por meio do processo de fermentação das fezes. No entanto, ele diz que se ela estiver jogada no solo o carbono entra na atmosfera em forma de metano, poluindo o meio ambiente, 17 vezes mais que o gás carbônico.
Por isso, foi criado um processo de fermentação anaeróbica em biodigestores. "As fezes são jogadas dentro do recipiente de plástico enterrado no solo - em cerca de cinco metros - e a fermentação a transforma em gás carbônico que posteriormente pode ser usado como gás carbônico, por exemplo", diz. O volume de dejeto é transformado, gerando crédito de carbono, passível de ser comprado por empresas e países poluidores. (MB)

domingo, 26 de maio de 2013

Confins

Lá vem mais um capítulo da novela sobre o Aeroporto de Confins. Nesta semana, a minuta da proposta do edital, juntamente com estudos sobre o processo, será divulgada. Na mesma ocasião terá início também o período para consulta pública. Depois disso, os estudos serão encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) para a avaliação final e o edital deverá ser publicado em setembro.

Você sabia que com a privatização, o principal aeroporto de Minas Gerais atingirá o nível C na classificação da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata)? A qualificação vai de F a A e indica o patamar dos serviços oferecidos pelo terminal. Atualmente, o nível de Confins é D.



Concessão à iniciativa privada deve melhorar qualidade dos serviços oferecidos aos usuários pelo terminal .
NFRAERO/DIVULGAÇÃO
Atualmente, o principal aeroporto de Minas Gerais possui nível D, como maioria dos terminais do país
Atualmente, o principal aeroporto de Minas Gerais possui nível D, como maioria dos terminais do país
A concessão à iniciativa privada irá permitir que o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, localizado em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), atinja o nível C na classificação da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). A qualificação vai de F a A e indica o patamar dos serviços oferecidos pelo terminal, como fluxo de pessoas, atrasos de voos e espaço no check-in, sala de embarque e na área de retirada de bagagem. Atualmente, o principal aeroporto de Minas Gerais possui nível D, assim como maioria dos terminais do país.
A inclusão na categoria C faz parte da estratégia adotada pelo governo federal no plano de concessões do setor à iniciativa privada. Além do aeroporto mineiro, o do Galeão, no Rio de Janeiro, e aqueles que tiveram suas administrações transferidas à iniciativa privada no início do ano passado (Guarulhos, Campinas e Brasília) também terão suas "notas" elevadas.

"Todos os aeroportos terão condições de operar no nível C, o que não necessariamente significa que eles não ‘escorregarão’ para a F em algum momento. Nesse caso, os parâmetros estabelecidos servirão também como incentivo para os investimentos ao longo do período de concessão, já que toda vez que a demanda aumentar e a qualidade dos serviços começar a cair, o concessionário terá de realizar novos aportes para manter o padrão C", explica o diretor-geral da empresa Estruturadora Brasileira de Projetos S/A (EPB), Hélcio Tokeshi.

Fluxo - Entre outras questões, na avaliação da Iata, este patamar equivale a fluxo de passageiros estável, atrasos de voos aceitáveis e conforto considerado bom. A título de comparação, no nível D, estes mesmos índices são considerados instável, suportável e adequado, respectivamente. "Chegar ao patamar C já será um grande avanço", diz ele.

O contrato com as empresas que assumirão a administração dos empreendimentos estabelecerá os padrões a serem seguidos, como: metro quadrado por passageiro em áreas funcionais; tempo de processamento por área; atraso médio de aeronaves; e passageiros atendidos por pontes de embarque. Para se ter uma ideia, somente para o último quesito (passageiros atendidos por pontes de embarque) a meta é de que 65% dos voos domésticos e 95% dos internacionais sejam contemplados.

O diretor-geral da EBP esclarece ainda que não faz parte dos planos do governo federal que os aeroportos brasileiros atinjam os níveis A ou B. Isso porque, segundo ele, essas categorias equivalem a gastos excessivos, grandes áreas construídas e capacidade subutilizada fora dos horários de pico de cada região. "Chegar a estes padrões não é a melhor estratégia para o Brasil", revela.

Nesses casos, o fluxo de passageiros é considerado livre (A) ou estável (B); os atrasos em voos são inexistentes (A) ou muito poucos (B); e o conforto é considerado excelente (A) ou alto (B). "Os custos para elevar a categoria de um terminal de D para C é grande. De C para B é bem maior e de B para A um absurdo", completa.

Aportes - Os critérios da Iata servem como base para o planejamento em construções e ampliações de aeroportos em todo o mundo. A EBP, empresa que teve os estudos técnicos escolhidos pela Secretaria de Aviação Civil (SAC) para embasar os editais de concessão dos aeroportos de Confins e do Galeão também fez uso desses critérios. A minuta da proposta do edital, juntamente com os detalhes gerados pela Estruturadora, será divulgada nos próximos dias, quando terá início também o período para consulta pública. Depois disso, os estudos serão encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) para a avaliação final.

Na sexta-feira, a EBP apresentou a metodologia utilizada para elaboração dos projetos que irão embasar os editais. A expectativa é que o edital seja publicado em setembro e o governo exija no documento que os operadores tenham experiência em grandes terminais internacionais, que movimentem, no mínimo, 35 milhões de passageiros por ano.

Análises - Conforme já publicado, entre as análises apresentadas nos estudos técnicos destacam-se: projeção de demanda e de receitas e movimentação de passageiros, de aeronaves e de carga. Também foram estimados custos de investimento e de operação, além de propostas para a expansão dos aeroportos, com análises e sugestões para equacionamento de questões referentes a tráfego aéreo e a fases de planejamento, entre outras. Há ainda avaliações sobre possíveis impactos ambientais associados aos projetos de expansão dos aeroportos e os custos relativos à obtenção de licenças.

Já os valores de ressarcimento dos custos com os estudos pelos vencedores das licitações serão de R$ 9,6 milhões para o conjunto dos trabalhos relativos ao aeroporto de Confins e de R$ 9,5 milhões para o material do Galeão.
O tão esperado anúncio de concessão do terminal de Confins à iniciativa privada ocorreu em meados de dezembro do ano passado, quando do lançamento do chamado "Programa de Investimentos em Logística: Aeroportos". O modelo adotado para a concessão será o mesmo do primeiro leilão do setor.
Isso significa que a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) atuará como sócia minoritária na administração dos aeroportos, enquanto o controle será do consórcio que vencer a licitação. Já o prazo de concessão deverá ser de 20 a 25 anos. Além disso, o governo estima que os investimentos necessários no aeroporto serão da ordem de R$ 4,8 bilhões.

MARA BIANCHETTI, de Brasília (*)
(*) a repórter viajou a convite da EBP


Emprego X Desemprego

E o emprego em Belo Horizonte que continua registrando as menores taxas? O desempenho da Capital mais uma vez ficou entre os melhores do país, com 4,2% apenas da População Economicamente Ativa de toda a RMBH desempregada em abril. Por outro lado, o comércio não vai tão bem e foi o setor que mais demitiu no quarto mês de 2013.

Entenda o que aconteceu.



Taxa é a menor para o mês desde início da série histórica, em 2002 .
ALISSON J. SILVA
O segmento de comércio e reparação de veículos automotores foi um dos destaques negativos em abril
O segmento de comércio e reparação de veículos automotores foi um dos destaques negativos em abril
A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) encerrou abril em 4,2%, a menor para o mês desde o início da série histórica, em 2002. O índice, mais uma vez, foi inferior à média nacional, que fechou abril em 5,8%, também a mais baixa para o período. Com isso, o indicador na RMBH segue como um dos melhores entre as áreas pesquisadas e no mês passado ficou acima somente da Grande Porto Alegre, que registrou percentual de 4%.
De acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na comparação com março, a diferença foi de 0,4 ponto percentual, já que no mês anterior a taxa havia sido de 4,6%. Já frente ao mesmo período de 2012, o resultado ficou 0,8 ponto percentual abaixo, uma vez que naquela época o índice chegou a 5%.
Segundo o analista do IBGE Minas, Antônio Braz de Oliveira e Silva, os resultados do quarto mês deste exercício não apresentaram nenhuma surpresa, devido à situação estável do mercado de trabalho da Grande Belo Horizonte. Conforme ele, este mesmo cenário deverá ser observado daqui para frente, sem grandes oscilações nos níveis de emprego.
"Notoriamente, os resultados estão melhores do que os registrados em anos anteriores. O que vai acontecer agora, provavelmente, será a continuidade deste desempenho, porém sem grandes pressões", explica.
Apesar do desempenho positivo na geração de emprego na RMBH durante o quarto mês deste ano, Silva destaca a queda de 30 mil vagas no segmento de comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos no mesmo período. De acordo com o economista, a diminuição no número de empregos nos setores pode ser atribuída, principalmente, ao desempenho das vendas do varejo na RMBH, que nos últimos meses, têm apresentado retração. "Já se trata de uma conseqüência da baixa nos negócios", diz.
Também registraram redução no número de postos de trabalho em relação a abril de 2012 as atividades de construção (-21 mil vagas) e serviços domésticos (-18 mil). "Nestes casos também não houve surpresas. A construção está se acomodando nos últimos meses e a categoria de serviços domésticos já vem perdendo seus trabalhadores para outros segmentos", completa.

Ajuda - Na outra ponta, contribuíram positivamente para o resultado os grupos de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais (com 16 mil postos de trabalho a mais) e outros serviços (20 mil empregos).
Já na comparação com março deste mesmo ano, o resultado positivo mais expressivo veio do grupo administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais, com mais 13 mil postos de trabalho, seguido pela indústria extrativa, de transformação e de produção e distribuição de eletricidade e gás e água, com aumento de 9 mil vagas. O desempenho negativo mais expressivo foi observado também no comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos (-4 mil).
Silva destacou ainda que em abril de 2013 houve redução no número de pessoas desocupadas, neste caso de 22 mil frente ao mesmo mês de 2012 e de 9 mil frente a março deste ano, tendo ele sido estimado em 114 mil. Segundo o analista, a redução na População Economicamente Ativa (PEA), de 51 mil frente a abril do ano passado, permitiu que tanto a ocupação quanto a desocupação diminuíssem, assim como a taxa de desemprego (4,2% em abril de 2013 contra 5% no mesmo mês do ano passado). Já em relação a março de 2013, o aumento na ocupação (22 mil pessoas) foi capaz de absorver todo o aumento da PEA (12 mil) e ainda reduzir o número de desempregados, assim como a taxa de desemprego.
MARA BIANCHETTI