Economia porque?

Sabe aquela coisa de fazer jornalismo justamente por gostar de ler e escrever e ter dificuldades com matemática? Pois bem, este foi um dos motivos [além da paixão incondicional pelo ato de noticiar] que me levaram a escolher o jornalismo. No entanto, menos de um ano após a formatura me deparei com uma vaga em um jornal especializado na cobertura da economia de Minas Gerais. Três anos se passaram desde então. De lá para cá aprendi não só a gostar de [alguns] números, como também passei a entender melhor algumas [poucas] questões que norteiam o nosso dia-a-dia. Por isso estou aqui: para tentar clarear um pouco para você também, falando sobre a economia de Minas Gerais. Seja por meio de minhas apurações, matérias e descobertas ou dados e informações econômicas relevantes fornecidos por colegas da área.

Boa leitura!

domingo, 26 de maio de 2013

Confins

Lá vem mais um capítulo da novela sobre o Aeroporto de Confins. Nesta semana, a minuta da proposta do edital, juntamente com estudos sobre o processo, será divulgada. Na mesma ocasião terá início também o período para consulta pública. Depois disso, os estudos serão encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) para a avaliação final e o edital deverá ser publicado em setembro.

Você sabia que com a privatização, o principal aeroporto de Minas Gerais atingirá o nível C na classificação da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata)? A qualificação vai de F a A e indica o patamar dos serviços oferecidos pelo terminal. Atualmente, o nível de Confins é D.



Concessão à iniciativa privada deve melhorar qualidade dos serviços oferecidos aos usuários pelo terminal .
NFRAERO/DIVULGAÇÃO
Atualmente, o principal aeroporto de Minas Gerais possui nível D, como maioria dos terminais do país
Atualmente, o principal aeroporto de Minas Gerais possui nível D, como maioria dos terminais do país
A concessão à iniciativa privada irá permitir que o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, localizado em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), atinja o nível C na classificação da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). A qualificação vai de F a A e indica o patamar dos serviços oferecidos pelo terminal, como fluxo de pessoas, atrasos de voos e espaço no check-in, sala de embarque e na área de retirada de bagagem. Atualmente, o principal aeroporto de Minas Gerais possui nível D, assim como maioria dos terminais do país.
A inclusão na categoria C faz parte da estratégia adotada pelo governo federal no plano de concessões do setor à iniciativa privada. Além do aeroporto mineiro, o do Galeão, no Rio de Janeiro, e aqueles que tiveram suas administrações transferidas à iniciativa privada no início do ano passado (Guarulhos, Campinas e Brasília) também terão suas "notas" elevadas.

"Todos os aeroportos terão condições de operar no nível C, o que não necessariamente significa que eles não ‘escorregarão’ para a F em algum momento. Nesse caso, os parâmetros estabelecidos servirão também como incentivo para os investimentos ao longo do período de concessão, já que toda vez que a demanda aumentar e a qualidade dos serviços começar a cair, o concessionário terá de realizar novos aportes para manter o padrão C", explica o diretor-geral da empresa Estruturadora Brasileira de Projetos S/A (EPB), Hélcio Tokeshi.

Fluxo - Entre outras questões, na avaliação da Iata, este patamar equivale a fluxo de passageiros estável, atrasos de voos aceitáveis e conforto considerado bom. A título de comparação, no nível D, estes mesmos índices são considerados instável, suportável e adequado, respectivamente. "Chegar ao patamar C já será um grande avanço", diz ele.

O contrato com as empresas que assumirão a administração dos empreendimentos estabelecerá os padrões a serem seguidos, como: metro quadrado por passageiro em áreas funcionais; tempo de processamento por área; atraso médio de aeronaves; e passageiros atendidos por pontes de embarque. Para se ter uma ideia, somente para o último quesito (passageiros atendidos por pontes de embarque) a meta é de que 65% dos voos domésticos e 95% dos internacionais sejam contemplados.

O diretor-geral da EBP esclarece ainda que não faz parte dos planos do governo federal que os aeroportos brasileiros atinjam os níveis A ou B. Isso porque, segundo ele, essas categorias equivalem a gastos excessivos, grandes áreas construídas e capacidade subutilizada fora dos horários de pico de cada região. "Chegar a estes padrões não é a melhor estratégia para o Brasil", revela.

Nesses casos, o fluxo de passageiros é considerado livre (A) ou estável (B); os atrasos em voos são inexistentes (A) ou muito poucos (B); e o conforto é considerado excelente (A) ou alto (B). "Os custos para elevar a categoria de um terminal de D para C é grande. De C para B é bem maior e de B para A um absurdo", completa.

Aportes - Os critérios da Iata servem como base para o planejamento em construções e ampliações de aeroportos em todo o mundo. A EBP, empresa que teve os estudos técnicos escolhidos pela Secretaria de Aviação Civil (SAC) para embasar os editais de concessão dos aeroportos de Confins e do Galeão também fez uso desses critérios. A minuta da proposta do edital, juntamente com os detalhes gerados pela Estruturadora, será divulgada nos próximos dias, quando terá início também o período para consulta pública. Depois disso, os estudos serão encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) para a avaliação final.

Na sexta-feira, a EBP apresentou a metodologia utilizada para elaboração dos projetos que irão embasar os editais. A expectativa é que o edital seja publicado em setembro e o governo exija no documento que os operadores tenham experiência em grandes terminais internacionais, que movimentem, no mínimo, 35 milhões de passageiros por ano.

Análises - Conforme já publicado, entre as análises apresentadas nos estudos técnicos destacam-se: projeção de demanda e de receitas e movimentação de passageiros, de aeronaves e de carga. Também foram estimados custos de investimento e de operação, além de propostas para a expansão dos aeroportos, com análises e sugestões para equacionamento de questões referentes a tráfego aéreo e a fases de planejamento, entre outras. Há ainda avaliações sobre possíveis impactos ambientais associados aos projetos de expansão dos aeroportos e os custos relativos à obtenção de licenças.

Já os valores de ressarcimento dos custos com os estudos pelos vencedores das licitações serão de R$ 9,6 milhões para o conjunto dos trabalhos relativos ao aeroporto de Confins e de R$ 9,5 milhões para o material do Galeão.
O tão esperado anúncio de concessão do terminal de Confins à iniciativa privada ocorreu em meados de dezembro do ano passado, quando do lançamento do chamado "Programa de Investimentos em Logística: Aeroportos". O modelo adotado para a concessão será o mesmo do primeiro leilão do setor.
Isso significa que a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) atuará como sócia minoritária na administração dos aeroportos, enquanto o controle será do consórcio que vencer a licitação. Já o prazo de concessão deverá ser de 20 a 25 anos. Além disso, o governo estima que os investimentos necessários no aeroporto serão da ordem de R$ 4,8 bilhões.

MARA BIANCHETTI, de Brasília (*)
(*) a repórter viajou a convite da EBP


Emprego X Desemprego

E o emprego em Belo Horizonte que continua registrando as menores taxas? O desempenho da Capital mais uma vez ficou entre os melhores do país, com 4,2% apenas da População Economicamente Ativa de toda a RMBH desempregada em abril. Por outro lado, o comércio não vai tão bem e foi o setor que mais demitiu no quarto mês de 2013.

Entenda o que aconteceu.



Taxa é a menor para o mês desde início da série histórica, em 2002 .
ALISSON J. SILVA
O segmento de comércio e reparação de veículos automotores foi um dos destaques negativos em abril
O segmento de comércio e reparação de veículos automotores foi um dos destaques negativos em abril
A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) encerrou abril em 4,2%, a menor para o mês desde o início da série histórica, em 2002. O índice, mais uma vez, foi inferior à média nacional, que fechou abril em 5,8%, também a mais baixa para o período. Com isso, o indicador na RMBH segue como um dos melhores entre as áreas pesquisadas e no mês passado ficou acima somente da Grande Porto Alegre, que registrou percentual de 4%.
De acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na comparação com março, a diferença foi de 0,4 ponto percentual, já que no mês anterior a taxa havia sido de 4,6%. Já frente ao mesmo período de 2012, o resultado ficou 0,8 ponto percentual abaixo, uma vez que naquela época o índice chegou a 5%.
Segundo o analista do IBGE Minas, Antônio Braz de Oliveira e Silva, os resultados do quarto mês deste exercício não apresentaram nenhuma surpresa, devido à situação estável do mercado de trabalho da Grande Belo Horizonte. Conforme ele, este mesmo cenário deverá ser observado daqui para frente, sem grandes oscilações nos níveis de emprego.
"Notoriamente, os resultados estão melhores do que os registrados em anos anteriores. O que vai acontecer agora, provavelmente, será a continuidade deste desempenho, porém sem grandes pressões", explica.
Apesar do desempenho positivo na geração de emprego na RMBH durante o quarto mês deste ano, Silva destaca a queda de 30 mil vagas no segmento de comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos no mesmo período. De acordo com o economista, a diminuição no número de empregos nos setores pode ser atribuída, principalmente, ao desempenho das vendas do varejo na RMBH, que nos últimos meses, têm apresentado retração. "Já se trata de uma conseqüência da baixa nos negócios", diz.
Também registraram redução no número de postos de trabalho em relação a abril de 2012 as atividades de construção (-21 mil vagas) e serviços domésticos (-18 mil). "Nestes casos também não houve surpresas. A construção está se acomodando nos últimos meses e a categoria de serviços domésticos já vem perdendo seus trabalhadores para outros segmentos", completa.

Ajuda - Na outra ponta, contribuíram positivamente para o resultado os grupos de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais (com 16 mil postos de trabalho a mais) e outros serviços (20 mil empregos).
Já na comparação com março deste mesmo ano, o resultado positivo mais expressivo veio do grupo administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais, com mais 13 mil postos de trabalho, seguido pela indústria extrativa, de transformação e de produção e distribuição de eletricidade e gás e água, com aumento de 9 mil vagas. O desempenho negativo mais expressivo foi observado também no comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos (-4 mil).
Silva destacou ainda que em abril de 2013 houve redução no número de pessoas desocupadas, neste caso de 22 mil frente ao mesmo mês de 2012 e de 9 mil frente a março deste ano, tendo ele sido estimado em 114 mil. Segundo o analista, a redução na População Economicamente Ativa (PEA), de 51 mil frente a abril do ano passado, permitiu que tanto a ocupação quanto a desocupação diminuíssem, assim como a taxa de desemprego (4,2% em abril de 2013 contra 5% no mesmo mês do ano passado). Já em relação a março de 2013, o aumento na ocupação (22 mil pessoas) foi capaz de absorver todo o aumento da PEA (12 mil) e ainda reduzir o número de desempregados, assim como a taxa de desemprego.
MARA BIANCHETTI


Mobilidade Urbana

Se hoje a mobilidade urbana da capital mineira já é um desafio, imagine como será daqui a 25 anos, quando a frota de veículos de Belo Horizonte terá crescido aproximadamente 70%. Isso mesmo, especialistas projetam que perto dos anos 2040, a frota da cidade terá ultrapassado os 2,6 milhões de unidades entre ônibus, carros, motos e caminhões. Isso equivale a um veículo por habitante. Interessante, não?

Leia mais sobre os desafios da infraestrutura que nossa administração pública terá no futuro.




Frota de veículos de Belo Horizonte deverá crescer cerca de 70% nos próximos 25 anos.
ALISSON J. SILVA
Nos próximos 25 anos, a frota de Belo Horizonte chegará a 2,5 milhões de veículos
Nos próximos 25 anos, a frota de Belo Horizonte chegará a 2,5 milhões de veículos











A frota de Belo Horizonte deverá crescer cerca de 70% nos próximos 25 anos, passando dos atuais 1,519 milhão de veículos para mais de 2,5 milhões entre 2030 e 2040. Nesse mesmo período, a população da capital mineira deverá ser da ordem de 2,6 milhões de pessoas, o que significa que a cidade terá a média de um veículo por habitante.
Foi o que revelou estudo estatístico realizado pelo Sindicado da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) em prol do entendimento da infraestrutura da sexta maior cidade do país nos próximos anos. Os resultados foram analisados e debatidos no "De olho no futuro: como estará Belo Horizonte daqui a 25 anos?", encontro de representantes do setor com lideranças empresariais e governamentais.

Para o presidente do Sinaenco, João Alberto Viol, os números mostram a situação atual da mobilidade urbana da Capital e projetam o que vai ocorrer no futuro. Ele lembra que somente na última década, Belo Horizonte cresceu 105%, tendo passado de 742 mil veículos para 1,519 milhão de ônibus, carros, motos e caminhões.

Conforme Viol, nos últimos anos, o governo incentivou a compra e uso de veículo próprio de forma equivocada, quando praticou isenções e reduções dos impostos que incidem sobre automóveis. "Ao invés de reduzir os custos para fomentar a compra, o governo federal deveria aplicar os recursos vindos deste tipo de negócio no transporte público de qualidade", avalia.


Infraestrutura - Daqui para frente, segundo o presidente, os investimentos em infraestrutura, como alargamento de vias e mais opções de transporte de massa, não serão suficientes para solucionar os problemas de mobilidade urbana, principalmente se forem realizados de forma isolada.

Para ele, o melhor caminho será a mudança de cultura, uma vez que o espaço físico já não suporta tantas adequações, como ocorreu há sete anos, quando da construção da chamada Linha Verde, para facilitar o acesso ao Vetor Norte da Capital. "A via foi ampliada para três pistas em cada sentido e hoje já vemos sua capacidade quase que totalmente utilizada, com estrangulamento nos horários de pico. Agora não há mais para onde correr.  necessária uma mudança de comportamento", alerta.

O engenheiro e consultor na área de transporte e trânsito, Silvestre de Andrade Puty Filho, por sua vez, acredita que a solução não passa pela extinção do uso de veículos próprios, mas pela priorização dos investimentos públicos nos sistemas de transportes coletivos. "Transporte público é o caminho deste crescimento e a solução para os problemas de mobilidade de Belo Horizonte", afirma.

Puty Filho lembra que hoje tanto o governo do Estado quanto a Prefeitura de Belo Horizonte possuem planejamentos para a Capital neste sentido. Porém, o especialista diz que é preciso ir além. "Existe o projeto de construção do Bus Rapid Transit (BRT), as discussões acerca da ampliação do metrô e até de outros sistemas como veículo leve sobre trilhos (VLT) e do monotrilho, mas é preciso avançar, porque o transporte público de qualidade precisa ser a parte mais eficaz do sistema de mobilidade urbana", explica.

Ainda conforme o consultor, enquanto a população cresce uma média de 6% a cada dez anos, a frota tem crescido 6% anualmente. "Não dá. Não existe capacidade para vias e não é possível sair desapropriando a cidade inteira. Tem que reorganizar o sistema viário, reestruturar a cidade e desenvolver polos regionais de forma que todas as áreas de interesse estejam interligadas", conclui.



MARA BIANCHETTI

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Confins

Depois de não conseguir nenhuma empresa interessada em construir o chamado "puxadinho" do Aeroporto de Confins, a Infraero decidiu tomar a responsabilidade para si e vai assumir a obra. Será que agora nosso aeroporto decola?

Leia a manchete do Diário do Comércio de hoje!


Empresa construirá empreendimento por meio de contratação direta .
GIL LEONARDO/IMPRENSA-MG
O ministro Moreira Franco garantiu ao governador Anastasia conclusão das obras em abril de 2014
O ministro Moreira Franco garantiu ao governador Anastasia conclusão das obras em abril de 2014
Após três tentativas frustradas de licitar o "Terminal Remoto", anteriormente chamado de "Terminal 3", do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a obra ficará sob responsabilidade da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). A estatal vai construir o empreendimento por meio de contratação direta, sem licitação.

Esta foi a forma que a Secretaria de Aviação Civil (SAC) e a Infraero encontraram para concluir as intervenções no principal aeroporto do Estado, antes do início da Copa de 2014. Em reunião com o governador Antonio Anastasia, o ministro da SAC, Moreira Franco, e o presidente da estatal, Gustavo do Vale, garantiram a entrega do Módulo Operacional Provisório (MOP) em abril de 2014.

Conforme a Infraero, para a contratação da obra será feita uma consulta ao mercado, com o objetivo de buscar a melhor técnica e o preço mais apropriado para a construção do terminal. Já a ordem de serviço para início das intervenções deverá ocorrer nas próximas semanas.

Especialistas alegam que o motivo para que as três concorrências fossem classificadas como "desertas", por não atraírem nenhum interessado, foi a diferença entre o que a Infraero estava disposta a pagar para a construção do terminal (R$ 47 milhões) e o que as empresas queriam receber (mínimo de R$ 59 milhões).

Depois das duas primeiras tentativas, a estatal chegou, inclusive, a mudar alguns pontos do projeto, de forma a baratear os custos, como a estrutura de um prédio novo e definitivo para um provisório. Com isso, a capacidade do terminal caiu de 5,5 milhões de passageiros/ano para 3,9 milhões por ano. Nem assim a licitação foi bem-sucedida e o terceiro certame também não teve interessados.
RODRIGO LIMA/NITRO
A ideia é deixar Confins pronto para a Copa de 2014
A ideia é deixar Confins pronto para a Copa de 2014
Apesar da garantia de expansão do aeroporto para antes da Copa do Mundo, a decisão da Infraero e da SAC foi criticada pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG), Alberto Salum. Conforme ele, a melhor solução seria adequar os preços e não partir para uma licitação emergencial. "Desta forma, a obra vai ficar mais cara que a orçada inicialmente, mas ninguém vai ficar sabendo", resume.

No entanto, Salum afirma que a consulta a ser feita ao mercado poderá trazer mais clareza quanto aos valores reais do empreendimento, já que, segundo ele, dificilmente alguma empresa apresentará preço abaixo do cobrado nas licitações anteriores. "As construtoras são executoras de obras e só recusam um empreendimento quando o valor está aquém do necessário, pois não faz sentido tocar um projeto que dê prejuízo", reitera.

Já para o professor do curso de Ciências Aeronáuticas da Fumec, Aloísio André dos Santos, o lado positivo da decisão é a garantia da execução das obras. Por outro lado, segundo ele, o modelo merece ser acompanhado de perto. "A obra é necessária e a expansão do aeroporto de Confins tem que acontecer, mas a solução adotada abre precedentes a questionamentos quanto ao que vai ser realmente gasto com o empreendimento e ao valor estipulado pela estatal nas primeiras licitações", alerta.
MARA BIANCHETTI

terça-feira, 7 de maio de 2013

Confins

Definitivamente, o Aeroporto de Confins não decola. Mesmo com as alterações efetuadas no edital, a licitação para escolha da empresa que irá elaborar os projetos básico e executivo, além da execução das obras do Terminal de Aviação Geral e do Terminal 3 do aeroporto, foi declarada "deserta" ontem, na terceira tentativa frustrada. A Infraero, diante da falta de interessados, informa que irá reavaliar todo o processo novamente. A construção do "puxadinho" se arrasta desde 2012.

Detalhes abaixo!


Não houve interessado no projeto de ampliação da área de passageiros
ALISSON J. SILVA
Licitação do terminal provisório foi declarada
Licitação do terminal provisório foi declarada "deserta" pela terceira vez.
As mudanças efetuadas no edital para escolha da empresa responsável pela elaboração dos projetos básico e executivo, bem como execução das obras do Terminal de Aviação Geral e do Terminal de Passageiros 3 do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), não foram suficientes para dar continuidade ao processo licitatório. Isso porque ontem - data marcada para a abertura das propostas - nenhuma empresa manifestou interesse em assumir a operação e, mais uma vez, a licitação foi declarada como "deserta".

Esta foi a terceira tentativa de contratar o responsável pela elaboração/execução dos serviços. A novela da construção do "puxadinho", como é chamado o terminal provisório, se arrasta desde o ano passado. As duas primeiras licitações também não tiveram interessados. Assim, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) decidiu aplicar para a concorrência as regras do regime diferenciado de contratação (RDC), e nem assim, a licitação foi bem-sucedida.

Com a mudança, o valor a ser investido foi mantido em sigilo até assinatura do contrato. Já nas duas primeiras vezes em que a concorrência foi lançada, as propostas feitas tinham valores superiores aos estipulados pelo governo federal. Outras mudanças efetuadas no terceiro edital incluíam a redução do tamanho do terminal, para que o valor a ser investido diminuísse também. Antes, a capacidade do terminal era de 4,9 milhões passageiros por ano, com as alterações, este número caiu para 3,8 milhões.

Ainda segundo informações da estatal, com o insucesso de mais esta tentativa, o processo terá que ser reavaliado novamente. A previsão inicial era de que as intervenções estivessem prontas até fevereiro de 2014.
ALISSON J. SILVA
A licitação para ampliação do terminal de passageiros em Confins, novamente, não teve interessados
A licitação para ampliação do terminal de passageiros em Confins, novamente, não teve interessados
Operações - Até lá, as operações do aeroporto seguem concentradas no Terminal 1, que passa por intervenções visando sua ampliação. Iniciadas em setembro de 2011, as obras serão concluídas somente para o Mundial de 2014. Até o momento apenas 25% das intervenções estão concluídas, atraso que vem ocorrendo em função de contínuos problemas na execução dos trabalhos.

Conforme já publicado pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, visando solucionar a questão, Infraero e o consórcio responsável decidiram acelerar as obras por meio de um termo aditivo, assinado no fim do ano passado, estipulando novas frentes de trabalho e prazos.

Apesar de o Terminal 1 não ficar pronto para a Copa das Confederações, que ocorre daqui a 40 dias, a previsão é de que na época da competição algumas partes já estejam concluídas. O novo acesso ao terminal é uma delas e foi liberado ontem. De acordo com informações da Infraero, carro e ônibus deverão usar a pista mais próxima do centro comercial, enquanto táxis, carros oficiais e veículos de turismo a faixa de fora.

As próximas intervenções a ficarem prontas, ainda de acordo com a estatal, serão o estacionamento A (B, C, D e E já foram concluídos) e o terminal de turismo do aeroporto.

Com as obras, a área total do terminal principal do Aeroporto de Confins passará dos atuais 60,3 mil metros quadrados para 67,6 mil metros quadrados. Isso permitirá o aumento da capacidade anual em 8,5 milhões de passageiros. Hoje, o número de pessoas que embarcam em Confins, cerca de 7 milhões por ano, já é superior à capacidade máxima (5 milhões).
MARA BIANCHETTI

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Localiza

A mineira Localiza Rent a Car tem novo CEO. Eugênio Mattar é irmão do executivo que respondia pelo cargo desde a fundação da empresa, em 1973, Salim Mattar. Eugênio considera grandes os desafios de sua gestão. No entanto, garante que estratégias de atuação já estão sendo traçadas.

Leia mais na matéria publicada no DIÁRIO DO COMÉRCIO.


ALISSON J. SILVA
Eugênio Mattar: opção pelo crescimento orgânico
Eugênio Mattar: opção pelo crescimento orgânico
Diante das oscilações que a economia brasileira tem apresentado nos últimos anos, somadas à alta concorrência do setor de locação de veículos e à instabilidade do mercado financeiro nacional, o novo chief executive officer (CEO) da Localiza Rent a Car, sediada em Belo Horizonte, Eugênio Mattar, considera grandes os desafios de sua gestão. No entanto, o executivo garante que estratégias de atuação já estão sendo traçadas, de forma a manter os resultados e as margens de lucro da companhia.
"Os desafios para a gestão de uma empresa deste porte não são pequenos, mas estamos trabalhando todos eles há cinco anos, para que com a mudança oficial da liderança os impactos nos negócios sejammenores", explica.
Justamente para que tanto o CEO quanto os demais integrantes da empresa estivessem preparados para a mudança, em 2008, Eugênio Mattar foi nomeado chief operator officer (COO) e assumiu toda a operação da Localiza, comandando oito diretorias: Divisão de Aluguel de Frotas, Divisão de Terceirização de Frotas, Divisão de Franchising, Divisão de Seminovos, Recursos Humanos (RH), Tecnologia da Informação (TI), Finanças e Administração.
Conforme ele, entre as estratégias, uma reformulação do planejamento para 2013 serviu como preparação para um eventual menor ritmo de crescimento dos negócios, como ocorreu no ano passado. Por ser uma empresa de capital aberto, a Localiza não pode fazer projeções, mas Eugênio Mattar adianta que pelos resultados apresentados no primeiro trimestre, este ano não deverá trazer grandes surpresas.
De janeiro a março, o lucro líquido da empresa cresceu 22,1% em relação ao mesmo período do ano passado e alcançou R$ 88,8milhões ante R$ 72,7 milhões no acumulado até março de 2012, conforme balanço financeiro divulgado. "Os números estão abaixo dos tradicionalmente registrados pela companhia", explica.
Eugênio Mattar sempre foi o responsável pela área financeira da Localiza e implementou a Divisão de Terceirização de Frotas - Total Fleet. Foi também responsável pela formatação do negócio de seminovos. Como CEO passa a exercer a função anteriormente ocupada por Salim Mattar desde o início da empresa, em 1973. Agora, Salim Mattar assumiu a direção do Conselho de Administração.
Oportunidades - O momento, na visão de ambos, segundo Eugênio Mattar, é de transformação da companhia, em função da consolidação do mercado e também por novas oportunidades.
A sucessão estava prevista para ocorrer em 2014, no entanto, o desempenho de Eugênio Mattar nas operações da companhia fez com que os controladores antecipassem a data para o início deste mês. Um compromisso firmado quando da fundação da empresa, estabeleceu como limite ideal os 65 anos de idade para quem ocupasse o cargo de CEO. Salim comemora 65 anos em novembro e Eugênio completou 60 anos em fevereiro.
A Localiza é a quintamaior empresa de locação do mundo, com quase 100 mil veículos e valor de mercado de US$ 3,552 bilhões.
MARA BIANCHETTI

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Grupo Martins

Pela primeira vez em sua história, o Jornal Diário do Comércio publica uma matéria sobre o Grupo Martins - maior atacadista da América Latina, que diga-se de passagem, está sediado em Minas Gerais - em que a fonte é o próprio fundador desta empresa e protagonista desta belíssima história: Alair Martins do Nascimento. Vale a pena conhecer. Vale a pena ler e se inteirar sobre os negócios e perspectivas deste gigante que nasceu em Uberlândia, em um armazém de 110 metros quadrados e que hoje atua em todo o país, com mais de 165 mil metros quadrados de capacidade de estocagem.

Confira!



Empresa de Uberlândia vai completar 60 anos com Sérgio Barroso na direção do Conselho de Família.
DIVULGAÇÃO
Alair Martins (à direita) recebeu o troféu de honra ao mérito da Abad
Alair Martins (à direita) recebeu o troféu de honra ao mérito da Abad





















No auge de seus 79 anos e nas vésperas de sua empresa completar 60 anos de atividades, Alair Martins do Nascimento ainda tem uma meta: deixar o negócio estruturado e os filhos preparados para sua sucessão, de forma que a Martins Comércio e Serviços de Distribuição, com sede em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, se torne o primeiro atacadista centenário do país. Para tal, uma reestruturação foi realizada no ano passado, na qual o fundador continua com o controle acionário do Grupo Martins, assim como com o poder decisório, em caráter vitalício. Já a propriedade das suas ações foi transferida para seus três filhos, por meio da criação do Conselho de Família.

"Esse é um desejo que ainda falta realizar e que tem tudo para acontecer. E o modelo de governança corporativa foi adotado, justamente, para que esse projeto siga adiante sem deixar de lado a cultura e os valores familiares iniciados em 1953, quando da criação da empresa, em um armazém de 110 metros quadrados que se transformou e hoje contribui para o crescimento de vários negócios em todo o país", explica.

À frente do Conselho de Família está Sérgio Barroso, primeiro brasileiro a chegar à presidência da Cargill no país e ex-secretário de Estado extraordinário da Copa do Mundo (Secopa), cargo que ocupou até o ano passado. Conforme Alair Martins, o papel de Barroso, hoje vice-presidente das holdings financeira e comercial do grupo, é facilitar os trâmites estratégicos para o desempenho e desenvolvimento dos negócios daqui para frente. "Ele trabalha as emoções da família", resume.

Antes da criação do Conselho de Família, a empresa já atuava com conselhos de Administração no atacado distribuidor e no banco. Mesmo com o novo formato do negócio, as decisões estratégicas de cada um continuarão sendo tomadas pelos respectivos conselhos, que também contam com membros independentes.

Em 1990, o Grupo Martins se tornou o maior distribuidor-atacadista da América Latina. Atualmente é formado pelas empresas Martins, de atacado e distribuição, Rede Smart, Tribanco, Tribanco Seguros, Tricard, Universidade Martins do Varejo (UMV) e Instituto Alair Martins (Iamar). Somente a Martins Atacado tem 4,5 mil funcionários, 381 vendedores e 3,6 mil representantes comerciais, além de uma frota de 1,1 mil veículos e quase 400 mil clientes em todo o Brasil.

No Ranking Abad/Nielsen, da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores, divulgado no início da semana, em São Paulo, a empresa se destacou, mais uma vez, com o melhor desempenho entre os atacadistas mineiros e o segundo melhor do país, ficando atrás somente da Profarma Distribuidora de Produtos Farmacêuticos S/A, na categoria distribuição e entrega. Além disso, na ocasião, Alair Martins recebeu o troféu de honra ao mérito "Aliança em Excelência", concedido pela entidade.

Considerando todos os segmentos de atuação, o Grupo Martins faturou R$ 3,812 bilhões no ano passado, resultado 11% superior ao de 2011 - R$ 3,434 bilhões. Sua atuação hoje se concentra na região Sudeste (39%) e o restante é bastante diluído no país. Já sua área de armazém já chega a 165 mil metros quadrados.


Estratégia - Para este ano, segundo o chief executive officer (CEO) do grupo, Walter Faria Júnior, é esperado um crescimento de, no mínimo, 13% sobre o resultado de 2012. A aposta de acordo com ele, se baseia na estratégia de atuação da empresa, que busca uma melhor produtividade baseada nas tendências de mercado, sem deixar de lado o que é bom para o cliente.

"Queremos prestar o melhor atendimento, sabendo que para cada tipo de negócio e região é preciso um atendimento específico, já que atendemos desde uma loja de materiais de construção, passando por farmácia, supermercado, até uma casa de produtos agropecuários, em todo o país", diz.

No que se refere aos possíveis obstáculos não só para este exercício, mas para o negócio como um todo, Faria Júnior cita a infraestrutura precária, a falta de mão de obra e o sistema tributário, entre outros. "As margens de lucro do comércio no Brasil são baixas, por isso temos que ser, acima de tudo, eficientes e buscar eficiência em tudo", justifica.

Os investimentos a serem realizados pela empresa, no entanto, poderão amenizar tais questões. Somente para neste ano, conforme o CEO, o grupo deverá investir cerca de R$ 20 milhões em novas tecnologias. Os recursos serão destinados à automatização dos sistemas, bem como à equipamentos e treinamentos para os profissionais do grupo.
MARA BIANCHETTI