Economia porque?

Sabe aquela coisa de fazer jornalismo justamente por gostar de ler e escrever e ter dificuldades com matemática? Pois bem, este foi um dos motivos [além da paixão incondicional pelo ato de noticiar] que me levaram a escolher o jornalismo. No entanto, menos de um ano após a formatura me deparei com uma vaga em um jornal especializado na cobertura da economia de Minas Gerais. Três anos se passaram desde então. De lá para cá aprendi não só a gostar de [alguns] números, como também passei a entender melhor algumas [poucas] questões que norteiam o nosso dia-a-dia. Por isso estou aqui: para tentar clarear um pouco para você também, falando sobre a economia de Minas Gerais. Seja por meio de minhas apurações, matérias e descobertas ou dados e informações econômicas relevantes fornecidos por colegas da área.

Boa leitura!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Metrô

Será que agora vai mesmo? A licitação do metrô de Belo Horizonte, anunciada pela presidente Dilma Rousseff em 2012 mas até agora emperrada, deve enfim ser lançada. De acordo com o secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Carlos Melles, os serviços de geotecnia e sondagem serão concluídos neste mês e a publicação do edital de concorrência para elaboração do projeto de engenharia deve ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano. Há quem duvide.

Entenda o processo de implantação do empreendimento que a população aguarda há décadas.


Publicada em 13-03-2013

Melles promete para este semestre. 
MARA BIANCHETTI. 
ALISSON J. SILVA
Melles se queixou da morosidade da União no repasse de verbas
Melles se queixou da morosidade da União no repasse de verbas
A licitação para o tão esperado metrô da capital mineira, anunciado oficialmente pela presidente Dilma Rousseff em 2012, enfim deverá ser lançada. De acordo com o secretário de Estado de Transportes e Obras Públicas, Carlos Melles, os serviços de geotecnia e sondagem das obras de expansão do sistema de transporte serão concluídos neste mês e a próxima etapa será a publicação do edital de concorrência para a elaboração do Projeto de Engenharia, que deverá ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano.

A expansão do metrô de Belo Horizonte é aguardada há décadas pela população. Atualmente, uma única linha está em operação, entre o Eldorado (Contagem) e Venda Nova (região Norte da Capital). O trecho tem 19 estações e 28 quilômetros de extensão.

Conforme o secretário, o processo realmente é demorado, em função da grande complexidade. Porém, ele ressalta que o primeiro passo para o desengavetamento do projeto foi dado no ano passado, com o início dos trabalhos de sondagem. "Finalizando esta etapa, será possível lançar a licitação para o projeto, e posteriormente publicar o edital para definição da empresa que realizará as obras e, depois, dar início às mesmas. Esse período como um todo vai de quatro a seis anos e, por isso, não se trata de um projeto para a Copa do Mundo", diz.

De acordo com Melles, apesar de o governo federal alegar que o início da concorrência para implantação do metrô só depende da publicação do edital por parte do governo de Minas, a morosidade no andamento do processo diz respeito aos recursos a serem liberados pela União.

"Todo problema ainda existente é do governo federal. Nós estamos antecipando e assumindo como parceiros e fazendo o possível para adiantar o processo, mas em determinado ponto ficamos reféns. Para se ter uma ideia, só agora foram liberados R$ 60 milhões para a sondagem, que teve início em setembro. Foi preciso que o governo do Estado começasse as obras sem que os recursos chegassem para que houvesse o andamento do processo", explica.

ALISSON J. SILVA
Para Carlos Melles, processo é demorado em função da grande complexidade
Para Carlos Melles, processo é demorado em função da grande complexidade
Projeto - O projeto do metrô na Capital está orçado em R$ 3,05 bilhões e foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da mobilidade do governo federal. Do total a ser investido na obra, a União participará com R$ 1 bilhão e o governo do Estado com aproximadamente R$ 750 milhões via financiamento. O restante, R$ 1,3 bilhão, será assumido pelas prefeituras de Belo Horizonte e Contagem e pela empresa a ser contratada, através de concorrência na modalidade parceria público-privada (PPP).

De forma geral, a expansão e a modernização do sistema de transporte na capital mineira inclui intervenções nas linhas 1 (Eldorado-Vilarinho), o término da construção e implantação da linha 2 (Calafate-Barreiro) e a construção e implantação da linha 3 (Lagoinha-Savassi). Com os trabalhos, a capacidade de atendimento do metrô passará dos atuais 200 mil passageiros por dia para cerca de 800 mil usuários/dia.


Sondagens - Os serviços de geotecnia e sondagem das obras do metrô tiveram início em setembro do ano passado, pelo centro da Capital, com o objetivo de subsidiar os projetos de engenharia com informações sobre o subsolo dos locais onde passarão as linhas do metrô.

Por meio de perfurações, a Progeo Engenharia Ltda, empresa que venceu a licitação para realizar as intervenções, obteve amostras de solos, rochas e outras informações geofísicas relevantes para o projeto, como a resistência das camadas de solo e o nível d’água subterrâneo. Já a profundidade dos furos ocorreu de acordo com o perfil do túnel a escavado, variando de 30 a 35 metros de profundidade. Ao final deste mês terão sido realizadas 180 perfurações em Belo Horizonte.

quinta-feira, 7 de março de 2013

PIB Mineiro

Em meio ao crescimento pífio de 0,9% no país, a economia mineira registra expansão de 2,3% do PIB em 2012. A agropecuária e a construção civil puxaram o resultado, segundo a Fundação João Pinheiro (FJP). De acordo com o coordenador do estudo, Raimundo de Sousa Leal Filho, o desempenho da economia no primeiro semestre sustentou o crescimento do ano.

Leia mais sobre o assunto.


Publicada em 07-03-2013
Resultado apurado pela FJP superou a alta registrada no país, que chegou a apenas 0,9% no ano passado. 
MARA BIANCHETTI
ALISSON J. SILVA
Leal Filho destacou desempenho no 1º semestre
Leal Filho destacou desempenho no 1º semestre
Minas Gerais registrou crescimento de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 em relação ao ano anterior, superando a alta verificada na economia nacional, que cresceu apenas 0,9% no mesmo período. No Estado, fizeram a diferença os desempenhos apresentados pela agropecuária e pela construção civil. Os dados integram a pesquisa "Produto Interno Bruto de Minas Gerais: resultados do 4º trimestre de 2012", elaborada pelo Centro de Estatística e Informações (CEI) da Fundação João Pinheiro (FJP) e divulgada ontem.

Na avaliação do coordenador de Contas Regionais do CEI e do estudo, Raimundo de Sousa Leal Filho, o comportamento da economia mineira ao longo do primeiro semestre do exercício passado foi fundamental para o resultado do índice de Minas no acumulado do ano. Isso porque, segundo ele, nos dois primeiros trimestres de 2012 o PIB do Estado ficou bem acima do brasileiro e nos últimos dois, o desempenho foi igual ou inferior ao nacional.

"O maior ritmo do crescimento mineiro na primeira metade do ano é que determinou o resultado final. Já que nos dois primeiros trimestres a economia do Estado foi bem superior à do país, assim como ocorreu no segundo semestre de 2011. Apesar de naquele exercício o PIB de Minas ter ficado nos mesmos patamares do índice brasileiro, em 2012, o crescimento de um semestre foi suficiente para ultrapassar a média brasileira", explica.

Para Leal Filho, também pesou no resultado de Minas Gerais o fato de o Estado ter sentido os efeitos do desaquecimento econômico primeiro que o restante do país, mas também ter recuperado antes o dinamismo em alguns setores. "Essa recuperação, por sua vez, envolve questões específicas de cada setor, porque cada um tem reagido de uma maneira às medidas para alavancar a economia", afirma.

ALISSON J. SILVA
Raimundo Leal Filho
Raimundo Leal Filho
Desempenho - Já na avaliação da presidente da FJP, Marilena Chaves, é importante destacar o desempenho superior apresentado por Minas, e também lembrar que a taxa de 2,3% influenciou consideravelmente o 0,9% registrado no Brasil, impedindo que o crescimento fosse ainda menor. "Não só o resultado de Minas, mas também de outros estados que tiveram taxas interessantes em 2012, mostram que a composição setorial de cada região é que determina para onde vai caminhar a economia nacional", afirma.

Além do PIB de Minas Gerais já foram divulgados também os índices de São Paulo, Bahia e Ceará, que apresentaram crescimentos de 1,3%, 3,1% e 3,5%, respectivamente. O resultado brasileiro foi divulgado na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e representou o pior número desde 2009, quando havia registrado recuo de 0,3%.

Em valores correntes, a soma das riquezas produzidas no ano passado em todo o país chegou a R$ 4,403 trilhões e o PIB per capitasomou R$ 22,402 mil. Quando questionado sobre tais resultados no âmbito de Minas Gerais, o coordenador de Contas Regionais do CEI alegou que os números correntes não são passados pelo IBGE à instituição para formulação da pesquisa. "Estamos trabalhando nesta demanda junto ao instituto, mas no curto prazo não será possível fornecer esta informação", disse.

Para este ano, Leal Filho mostra-se bastante otimista e aposta no desempenho da indústria para alavancar o PIB de Minas Gerais. " o que se espera para todo o país. As medidas anunciadas pelo governo ao longo do ano passado, como forma de recuperar o dinamismo do setor industrial brasileiro, já estão demorando a fazer efeito. A expectativa é que tão logo façam", justifica.

Marilena Chaves concorda e completa que apesar dos problemas estruturais não só do Estado, mas de todo o país, não colaborarem, este ano, o desempenho deverá ser diferente. "Além disso, o consumo interno deverá continuar em alta, alavancando o setor de serviços e a construção não deverá crescer tanto, em função da alta base de comparação", conclui.