Economia porque?

Sabe aquela coisa de fazer jornalismo justamente por gostar de ler e escrever e ter dificuldades com matemática? Pois bem, este foi um dos motivos [além da paixão incondicional pelo ato de noticiar] que me levaram a escolher o jornalismo. No entanto, menos de um ano após a formatura me deparei com uma vaga em um jornal especializado na cobertura da economia de Minas Gerais. Três anos se passaram desde então. De lá para cá aprendi não só a gostar de [alguns] números, como também passei a entender melhor algumas [poucas] questões que norteiam o nosso dia-a-dia. Por isso estou aqui: para tentar clarear um pouco para você também, falando sobre a economia de Minas Gerais. Seja por meio de minhas apurações, matérias e descobertas ou dados e informações econômicas relevantes fornecidos por colegas da área.

Boa leitura!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Café

Não é do meu costume escrever sobre agronegócios, pois o DIÁRIO DO COMÉRCIO possui uma repórter para a editoria. Porém, em sua ausência, durante esta semana, foi dada a mim a missão de acompanhar o tão esperado anúncio, por parte do governo federal, de medidas que tentarão ajudar o setor cafeeiro, em meio à crise que tem vivido. Pois bem, no dia 07 de agosto, em Varginha, a própria presidente anunciou três ações: contratos de opção de venda de 3 milhões de sacas do grão, com preço unitário de R$ 343 e vencimento em março de 2014; liberação de linhas de crédito para financiar a estocagem e garantir o preço mínimo do grão.

Abaixo, minha matéria sobre a repercussão das medidas, junto aos produtores de Minas Gerais.


Medidas anunciadas em Varginha chegam em um momento de extrema volatilidade da cotação do grão.
ALEXANDRE GUZANSHE
Mesquita ainda está preocupado com a falta de competitividade da cafeicultura de montanha
Mesquita ainda está preocupado com a falta de competitividade da cafeicultura de montanha

As medidas anunciadas pela presidente Dilma Rousseff em Varginha, no Sul de Minas, para o setor cafeeiro chegam em um momento de extrema volatilidade da commodity e prometem dar novo fôlego ao setor. Apesar de positivos, o programa de contratos de opção de venda para 3 milhões de sacas de café, bem como os recursos para financiamento de estocagem e custeio da safra representam ações emergenciais para a cafeicultura brasileira e mineira, que continuará sofrendo com problemas estruturais no médio e longo prazos.

A avaliação foi feita pelo presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e da Comissão de Café da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Breno Mesquita. Segundo ele, o anúncio por parte do governo federal atendeu de forma positiva ao pleito do setor, que há algum tempo vem sofrendo com uma crise, principalmente, em virtude da defasagem dos preços nos mercados interno e internacional.

"De modo geral, o anúncio foi muito positivo. O único ponto que divergiu um pouco do que estávamos pedindo foi o valor estabelecido para saca, que acabou ficando um pouco abaixo. Pedimos R$ 360 e foi aprovado R$ 343. No entanto, o mais interessante é que além do programa de recuperação de preços veio também um aporte de recursos para estocagem que vai permitir com que o produtor, nesse momento de preços baixos, possa financiar seus negócios e esperar a recuperação do mercado", explica.


Contratos - O governo autorizou o lançamento de contratos de opção de venda de 3 milhões de sacas do grão, com pagamento de R$ 343 para cada uma e vencimento em março de 2014. Com o documento, o produtor garante a comercialização antecipada da safra ao governo e a data de vencimento futura permite também que ele venda sua safra no mercado, caso encontre preço melhor.

Outra medida diz respeito à liberação de crédito para financiar a estocagem de café até que os preços de venda ao mercado melhorem. Assim, os cafeicultores não precisam comercializar imediatamente a produção, porque vão dispor de recursos para manter estocada na expectativa de aumento de preço da safra nos próximos meses.

Também na ocasião, Dilma anunciou a liberação de recursos para a política de preço mínimo para compra do grão, o que beneficia diretamente os pequenos produtores. "São esses os melhores mecanismos para fomentar o mercado e tirar o setor da situação lamentável em que se encontra. A expectativa agora é que o mercado reaja, trazendo alguma melhoria à cafeicultura brasileira", disse.

Em relação aos problemas estruturais, Mesquita elenca a falta de competitividade da cafeicultura de montanha, que no caso de Minas Gerais representa mais da metade do parque cafeeiro; as normas de rotulagem; e o problema da geada que afetou recentemente o Paraná. "São assuntos que ainda precisam ser tratados. Embora estejamos satisfeitos com as medidas anunciadas pela presidente, vamos nos reunir com membros do governo federal em breve e pedir novas soluções", completa.

MARA BIANCHETTI

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