Economia porque?

Sabe aquela coisa de fazer jornalismo justamente por gostar de ler e escrever e ter dificuldades com matemática? Pois bem, este foi um dos motivos [além da paixão incondicional pelo ato de noticiar] que me levaram a escolher o jornalismo. No entanto, menos de um ano após a formatura me deparei com uma vaga em um jornal especializado na cobertura da economia de Minas Gerais. Três anos se passaram desde então. De lá para cá aprendi não só a gostar de [alguns] números, como também passei a entender melhor algumas [poucas] questões que norteiam o nosso dia-a-dia. Por isso estou aqui: para tentar clarear um pouco para você também, falando sobre a economia de Minas Gerais. Seja por meio de minhas apurações, matérias e descobertas ou dados e informações econômicas relevantes fornecidos por colegas da área.

Boa leitura!

domingo, 26 de maio de 2013

Confins

Lá vem mais um capítulo da novela sobre o Aeroporto de Confins. Nesta semana, a minuta da proposta do edital, juntamente com estudos sobre o processo, será divulgada. Na mesma ocasião terá início também o período para consulta pública. Depois disso, os estudos serão encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) para a avaliação final e o edital deverá ser publicado em setembro.

Você sabia que com a privatização, o principal aeroporto de Minas Gerais atingirá o nível C na classificação da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata)? A qualificação vai de F a A e indica o patamar dos serviços oferecidos pelo terminal. Atualmente, o nível de Confins é D.



Concessão à iniciativa privada deve melhorar qualidade dos serviços oferecidos aos usuários pelo terminal .
NFRAERO/DIVULGAÇÃO
Atualmente, o principal aeroporto de Minas Gerais possui nível D, como maioria dos terminais do país
Atualmente, o principal aeroporto de Minas Gerais possui nível D, como maioria dos terminais do país
A concessão à iniciativa privada irá permitir que o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, localizado em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), atinja o nível C na classificação da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). A qualificação vai de F a A e indica o patamar dos serviços oferecidos pelo terminal, como fluxo de pessoas, atrasos de voos e espaço no check-in, sala de embarque e na área de retirada de bagagem. Atualmente, o principal aeroporto de Minas Gerais possui nível D, assim como maioria dos terminais do país.
A inclusão na categoria C faz parte da estratégia adotada pelo governo federal no plano de concessões do setor à iniciativa privada. Além do aeroporto mineiro, o do Galeão, no Rio de Janeiro, e aqueles que tiveram suas administrações transferidas à iniciativa privada no início do ano passado (Guarulhos, Campinas e Brasília) também terão suas "notas" elevadas.

"Todos os aeroportos terão condições de operar no nível C, o que não necessariamente significa que eles não ‘escorregarão’ para a F em algum momento. Nesse caso, os parâmetros estabelecidos servirão também como incentivo para os investimentos ao longo do período de concessão, já que toda vez que a demanda aumentar e a qualidade dos serviços começar a cair, o concessionário terá de realizar novos aportes para manter o padrão C", explica o diretor-geral da empresa Estruturadora Brasileira de Projetos S/A (EPB), Hélcio Tokeshi.

Fluxo - Entre outras questões, na avaliação da Iata, este patamar equivale a fluxo de passageiros estável, atrasos de voos aceitáveis e conforto considerado bom. A título de comparação, no nível D, estes mesmos índices são considerados instável, suportável e adequado, respectivamente. "Chegar ao patamar C já será um grande avanço", diz ele.

O contrato com as empresas que assumirão a administração dos empreendimentos estabelecerá os padrões a serem seguidos, como: metro quadrado por passageiro em áreas funcionais; tempo de processamento por área; atraso médio de aeronaves; e passageiros atendidos por pontes de embarque. Para se ter uma ideia, somente para o último quesito (passageiros atendidos por pontes de embarque) a meta é de que 65% dos voos domésticos e 95% dos internacionais sejam contemplados.

O diretor-geral da EBP esclarece ainda que não faz parte dos planos do governo federal que os aeroportos brasileiros atinjam os níveis A ou B. Isso porque, segundo ele, essas categorias equivalem a gastos excessivos, grandes áreas construídas e capacidade subutilizada fora dos horários de pico de cada região. "Chegar a estes padrões não é a melhor estratégia para o Brasil", revela.

Nesses casos, o fluxo de passageiros é considerado livre (A) ou estável (B); os atrasos em voos são inexistentes (A) ou muito poucos (B); e o conforto é considerado excelente (A) ou alto (B). "Os custos para elevar a categoria de um terminal de D para C é grande. De C para B é bem maior e de B para A um absurdo", completa.

Aportes - Os critérios da Iata servem como base para o planejamento em construções e ampliações de aeroportos em todo o mundo. A EBP, empresa que teve os estudos técnicos escolhidos pela Secretaria de Aviação Civil (SAC) para embasar os editais de concessão dos aeroportos de Confins e do Galeão também fez uso desses critérios. A minuta da proposta do edital, juntamente com os detalhes gerados pela Estruturadora, será divulgada nos próximos dias, quando terá início também o período para consulta pública. Depois disso, os estudos serão encaminhados ao Tribunal de Contas da União (TCU) para a avaliação final.

Na sexta-feira, a EBP apresentou a metodologia utilizada para elaboração dos projetos que irão embasar os editais. A expectativa é que o edital seja publicado em setembro e o governo exija no documento que os operadores tenham experiência em grandes terminais internacionais, que movimentem, no mínimo, 35 milhões de passageiros por ano.

Análises - Conforme já publicado, entre as análises apresentadas nos estudos técnicos destacam-se: projeção de demanda e de receitas e movimentação de passageiros, de aeronaves e de carga. Também foram estimados custos de investimento e de operação, além de propostas para a expansão dos aeroportos, com análises e sugestões para equacionamento de questões referentes a tráfego aéreo e a fases de planejamento, entre outras. Há ainda avaliações sobre possíveis impactos ambientais associados aos projetos de expansão dos aeroportos e os custos relativos à obtenção de licenças.

Já os valores de ressarcimento dos custos com os estudos pelos vencedores das licitações serão de R$ 9,6 milhões para o conjunto dos trabalhos relativos ao aeroporto de Confins e de R$ 9,5 milhões para o material do Galeão.
O tão esperado anúncio de concessão do terminal de Confins à iniciativa privada ocorreu em meados de dezembro do ano passado, quando do lançamento do chamado "Programa de Investimentos em Logística: Aeroportos". O modelo adotado para a concessão será o mesmo do primeiro leilão do setor.
Isso significa que a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) atuará como sócia minoritária na administração dos aeroportos, enquanto o controle será do consórcio que vencer a licitação. Já o prazo de concessão deverá ser de 20 a 25 anos. Além disso, o governo estima que os investimentos necessários no aeroporto serão da ordem de R$ 4,8 bilhões.

MARA BIANCHETTI, de Brasília (*)
(*) a repórter viajou a convite da EBP


Nenhum comentário:

Postar um comentário