Economia porque?

Sabe aquela coisa de fazer jornalismo justamente por gostar de ler e escrever e ter dificuldades com matemática? Pois bem, este foi um dos motivos [além da paixão incondicional pelo ato de noticiar] que me levaram a escolher o jornalismo. No entanto, menos de um ano após a formatura me deparei com uma vaga em um jornal especializado na cobertura da economia de Minas Gerais. Três anos se passaram desde então. De lá para cá aprendi não só a gostar de [alguns] números, como também passei a entender melhor algumas [poucas] questões que norteiam o nosso dia-a-dia. Por isso estou aqui: para tentar clarear um pouco para você também, falando sobre a economia de Minas Gerais. Seja por meio de minhas apurações, matérias e descobertas ou dados e informações econômicas relevantes fornecidos por colegas da área.

Boa leitura!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Indústria

E a indústria de Minas, hein?



Parque estadual acumulou perda de 0,7% no primeiro semestre deste ano ante 2012.
ALISSON J. SILVA
A indústria mineira registrou oscilações ao longo do primeiro semestre
A indústria mineira registrou oscilações ao longo do primeiro semestre
Após registrar crescimentos, mesmo que leves, durante os últimos três meses, a produção industrial mineira voltou a cair em junho. Em relação ao mês imediatamente anterior foi observado recuo de 0,8%, enquanto frente a igual período do ano passado a queda foi ainda mais intensa e chegou a 1,4%.

Com isso, o parque industrial do Estado acumulou perda de 0,7% no primeiro semestre deste ano na comparação com a primeira metade de 2012. Contudo, as expectativas são de que o ano se encerre de forma positiva para o setor em Minas Gerais, já que no acumulado dos últimos 12 meses o índice ainda encontra-se positivo em 1,8%.

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os principais destaques negativos no Estado foram os setores de produtos de metal, outros produtos químicos e veículos automotores.

Em âmbito nacional, além de Minas Gerais, três outros estados apresentaram resultados negativos: Paraná (-3,0%), Goiás (-2,3%) e Amazonas (-2,2%). Por outro lado, 10 dos 14 locais pesquisados registraram expansão na produção: Pará (5,9%), Rio Grande do Sul (3,9%), Bahia (3,1%), Santa Catarina (2,9%), São Paulo (2,9%), Rio de Janeiro (2,3%), Região Nordeste (1,8%), Ceará (1,7%), Pernambuco (1,5%) e Espírito Santo (1,2%). Assim, a média brasileira apresentada no período foi de 3,1%.

O analista do IBGE Minas, Antônio Braz de Oliveira e Silva, ressalta que apesar de o resultado da indústria mineira ainda se encontrar positivo nos últimos 12 meses, as oscilações registradas ao longo do primeiro semestre comprometem o desempenho do Estado. Ainda assim, conforme ele, é este o cenário que deverá ser mantido daqui para frente e, inclusive, garantir que não haja perdas no acumulado do exercício.

"Diante do baixo dinamismo da economia, as perspectivas não são muito favoráveis. Ao final de 2013 o setor deverá registrar crescimento, mas em nível inferior ao projetado no início do ano, da ordem de 2,5%", diz.

Reversão - Ainda conforme Silva, essa situação dificilmente poderá ser revertida, mas nada impede que seja melhorada. "Pode ser que com o dólar mantendo um bom nível alguns setores retomem sua vantagem com as exportações. Este é o caso da indústria automotiva", explica.

Quando considerados os setores, no índice mensal, o recuo de 1,4% na produção industrial mineira se deve aos resultados da indústria extrativa (-4,1%) e da indústria de transformação (-0,9%).

Em se tratando especificamente do primeiro grupo, o presidente do Conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), José Mendo Mizael, lembra que, diante da situação complicada em que se encontram tanto a economia nacional quanto a internacional, as maiores expectativas do setor se voltam para investimentos na infraestrutura do país, que o governo federal tem anunciado.

Para ele, apenas quando os planos de reestruturação de rodovias, ferrovias, aeroportos, portos e demais esferas realmente saírem do papel é que novo fôlego poderá ser dado a diversos setores da indústria brasileira, inclusive a extrativa. " preciso não só anunciar medidas, mas também atrair investimentos. Enquanto isso não acontecer, a situação vai continuar como está", critica.

Transformação - Quanto à indústria de transformação, sete dos 13 setores pesquisados apresentaram índices negativos, sendo que as principais retrações sobre a média da indústria no Estado vieram dos segmentos: produtos de metal, exclusive máquinas e equipamentos (-10,5%), outros produtos químicos (-8,2%) e veículos automotores (-8%). Os resultados positivos neste tipo de comparação vieram da indústria de máquinas e equipamentos (22,2%), refino de petróleo e álcool (11,9%) e fumo (7,5%).

Ainda conforme o levantamento, no primeiro semestre, somente a indústria de transformação não apresentou resultado negativo em Minas e teve crescimento de 0,4%. A indústria geral e a extrativa mineral, na outra ponta, tiveram recuo de -0,7% e -6,7%, respectivamente. Já nos últimos 12 meses os índices foram de 1,8%, -2,1% e 2,5%, nesta ordem.


MARA BIANCHETTI

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