Economia porque?

Sabe aquela coisa de fazer jornalismo justamente por gostar de ler e escrever e ter dificuldades com matemática? Pois bem, este foi um dos motivos [além da paixão incondicional pelo ato de noticiar] que me levaram a escolher o jornalismo. No entanto, menos de um ano após a formatura me deparei com uma vaga em um jornal especializado na cobertura da economia de Minas Gerais. Três anos se passaram desde então. De lá para cá aprendi não só a gostar de [alguns] números, como também passei a entender melhor algumas [poucas] questões que norteiam o nosso dia-a-dia. Por isso estou aqui: para tentar clarear um pouco para você também, falando sobre a economia de Minas Gerais. Seja por meio de minhas apurações, matérias e descobertas ou dados e informações econômicas relevantes fornecidos por colegas da área.

Boa leitura!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Avenida Paraná

As tão temidas obras de implantação do Bus Rapid Transit (BRT), sistema de transporte coletivo por trânsito rápido, na avenida Paraná,  iniciadas na última terça-feira, já prejudicam o comércio do hipercentro da Capital. Segundo lojistas, somente nos três primeiros dias de intervenções, as vendas diminuíram, em média, 15%. O receio de quem atua na região é de que aconteça como na avenida Santos Dumont, onde as vendas caíram até 90% durante o período das intervenções.

Confira mais detalhes na matéria.


Publicada em 11-01-2013

Somente nos três primeiros dias de intervenções na avenida, as vendas do comércio caíram, em média, 15%. 

MARA BIANCHETTI. 
JONAS BITTER
Os trabalhos de implantação do BRT na via começaram na última terça-feira
Os trabalhos de implantação do BRT na via começaram na última terça-feira











Iniciadas na última terça-feira, as obras para implantação do Bus Rapid Transit (BRT), sistema de transporte coletivo por trânsito rápido, na avenida Paraná, região central de Belo Horizonte, já provocam perdas ao comércio da região. Segundo lojistas que trabalham na avenida, apesar de ainda ser necessário um tempo maior para ter certeza dos prejuízos, somente nos três primeiros dias de intervenções as vendas caíram, em média, 15%.

Na avaliação do presidente da Associação dos Comerciantes do Hipercentro, Pedro Bacha, além da retirada de pontos de ônibus da avenida e da limitação do tráfego de veículos na mesma, a falta de clareza nas informações por parte da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) sobre as obras também tem sido responsável pela diminuição do fluxo de pessoas no local.

"A queda já era esperada em função da restrição do tráfego, no entanto, os efeitos poderiam ser minimizados caso fosse de interesse da prefeitura uma maior nitidez nas informações. As faixas espalhadas pelo Centro trazem os dizeres de que a avenida Paraná se encontra interditada para obras, quando, na verdade, somente uma pista está fechada para o tráfego de veículos. Isto leva o consumidor a entender que a via está toda interditada e que, inclusive, as lojas estão fechadas", adverte.

Conforme Bacha, ao conversar com 20 lojistas que atuam na avenida, foi possível constatar que pelo menos metade desses registrou retração de 10% nas vendas apenas nos dois primeiros dias das obras e outros sete de 12%, na mesma base de comparação. "Minha família possui quatro lojas na região. Somente em nossas unidades foram observados recuo de 15% em média", exemplifica.

JONAS BITTER
Comerciantes reclamam de erro nas faixas espalhadas pelo centro, na verdade interdição foi em meia pista
Comerciantes reclamam de erro nas faixas espalhadas pelo centro, na verdade interdição foi em meia pista
Sem informações - Outro representante da Associação dos Comerciantes do Hipercentro Flávio Fróes Assunção, ressalta que já foi solicitado à PBH mudança nas informações, mas que a mesma não foi atendida. De acordo com ele, por este motivo, muitos clientes estão pensando que as lojas estão fechadas, o que tem colaborado para a queda nas vendas.

"Somente na minha loja já observamos uma retração de 10% no primeiro dia, 30% no segundo e no terceiro cerca de 10% novamente. Mas é preciso considerar que o ponto faz esquina com uma rua que não foi interditada. Como ficam as lojas do meio da avenida, no meio dos tapumes?", questiona Assunção que é proprietário da loja Nova BH, localizada na avenida Paraná, esquina com a rua dos Tupinambás.

Como forma de minimizar os prejuízos e tornar mais definida as negociações com a PBH, a Associação dos Comerciantes do Hipercentro conseguiu a interferência do Ministério Público (MP) e no próximo dia 16 será realizada reunião entre as partes envolvidas e o órgão para firmar um compromisso formal.

"Foi a solução que encontramos, já que no caso das obras na avenida Santos Dumont as negociações não ficaram tão claras, o que gerou maiores perdas e confusão", completa. Conforme noticiado pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, os lojistas instalados naquela região chegaram a apresentar retração de até 90% do faturamento durante o período de execução dos trabalhos.


Pessimismo - No caso da Magazine do Bebê, que comercializa itens infantis e possui duas unidades na avenida Paraná, somente nos três primeiros dias de obra as vendas caíram em 15%. Segundo o gerente das lojas, Carlos Silva, a tendência é que piore nos próximos dias com o avanço dos trabalhos e o aumento dos transtornos e da poeira.

Na Skala, loja especializada em moda masculina, feminina e infantil, a tensão é semelhante. Até agora a queda foi de 50%, mas poderá ser ainda pior, conforme a supervisora da loja, Angela Jardim. "Por enquanto a obra ainda não chegou aqui e ainda está sendo possível fazer alguma venda. Mas e depois?", indaga.

As intervenções fazem parte da segunda fase de implantação do chamado BRT Central. Até a conclusão da obra, serão, ao todo, seis etapas de intervenções. A primeira aconteceu na avenida Santos Dumont, entre maio e novembro do ano passado e segundo informações da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura está praticamente concluída, restando apenas a instalação das estações de transferência, que ocorrerá ao mesmo tempo em todas as regiões que receberão o sistema, no final da implantação do mesmo.

Já o cronograma oficial dos trabalhos na avenida Paraná ainda não foi divulgado. No local funcionam cerca de 300 estabelecimentos que, juntos, empregam pelo menos 3 mil pessoas.

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