Se hoje a mobilidade urbana da capital mineira já é um desafio, imagine como será daqui a 25 anos, quando a frota de veículos de Belo Horizonte terá crescido aproximadamente 70%. Isso mesmo, especialistas projetam que perto dos anos 2040, a frota da cidade terá ultrapassado os 2,6 milhões de unidades entre ônibus, carros, motos e caminhões. Isso equivale a um veículo por habitante. Interessante, não?
Leia mais sobre os desafios da infraestrutura que nossa administração pública terá no futuro.
Frota de veículos de Belo Horizonte deverá crescer cerca de 70% nos próximos 25 anos.
| ALISSON J. SILVA |
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| Nos próximos 25 anos, a frota de Belo Horizonte chegará a 2,5 milhões de veículos |
A frota de Belo Horizonte deverá crescer cerca de 70% nos próximos 25 anos, passando dos atuais 1,519 milhão de veículos para mais de 2,5 milhões entre 2030 e 2040. Nesse mesmo período, a população da capital mineira deverá ser da ordem de 2,6 milhões de pessoas, o que significa que a cidade terá a média de um veículo por habitante.
Foi o que revelou estudo estatístico realizado pelo Sindicado da Arquitetura e da Engenharia (Sinaenco) em prol do entendimento da infraestrutura da sexta maior cidade do país nos próximos anos. Os resultados foram analisados e debatidos no "De olho no futuro: como estará Belo Horizonte daqui a 25 anos?", encontro de representantes do setor com lideranças empresariais e governamentais.
Para o presidente do Sinaenco, João Alberto Viol, os números mostram a situação atual da mobilidade urbana da Capital e projetam o que vai ocorrer no futuro. Ele lembra que somente na última década, Belo Horizonte cresceu 105%, tendo passado de 742 mil veículos para 1,519 milhão de ônibus, carros, motos e caminhões.
Conforme Viol, nos últimos anos, o governo incentivou a compra e uso de veículo próprio de forma equivocada, quando praticou isenções e reduções dos impostos que incidem sobre automóveis. "Ao invés de reduzir os custos para fomentar a compra, o governo federal deveria aplicar os recursos vindos deste tipo de negócio no transporte público de qualidade", avalia.
Infraestrutura - Daqui para frente, segundo o presidente, os investimentos em infraestrutura, como alargamento de vias e mais opções de transporte de massa, não serão suficientes para solucionar os problemas de mobilidade urbana, principalmente se forem realizados de forma isolada.
Para ele, o melhor caminho será a mudança de cultura, uma vez que o espaço físico já não suporta tantas adequações, como ocorreu há sete anos, quando da construção da chamada Linha Verde, para facilitar o acesso ao Vetor Norte da Capital. "A via foi ampliada para três pistas em cada sentido e hoje já vemos sua capacidade quase que totalmente utilizada, com estrangulamento nos horários de pico. Agora não há mais para onde correr. necessária uma mudança de comportamento", alerta.
O engenheiro e consultor na área de transporte e trânsito, Silvestre de Andrade Puty Filho, por sua vez, acredita que a solução não passa pela extinção do uso de veículos próprios, mas pela priorização dos investimentos públicos nos sistemas de transportes coletivos. "Transporte público é o caminho deste crescimento e a solução para os problemas de mobilidade de Belo Horizonte", afirma.
Puty Filho lembra que hoje tanto o governo do Estado quanto a Prefeitura de Belo Horizonte possuem planejamentos para a Capital neste sentido. Porém, o especialista diz que é preciso ir além. "Existe o projeto de construção do Bus Rapid Transit (BRT), as discussões acerca da ampliação do metrô e até de outros sistemas como veículo leve sobre trilhos (VLT) e do monotrilho, mas é preciso avançar, porque o transporte público de qualidade precisa ser a parte mais eficaz do sistema de mobilidade urbana", explica.
Ainda conforme o consultor, enquanto a população cresce uma média de 6% a cada dez anos, a frota tem crescido 6% anualmente. "Não dá. Não existe capacidade para vias e não é possível sair desapropriando a cidade inteira. Tem que reorganizar o sistema viário, reestruturar a cidade e desenvolver polos regionais de forma que todas as áreas de interesse estejam interligadas", conclui.
MARA BIANCHETTI
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