A MRS Logística, com sede em Juiz de Fora (Zona da Mata), vai investir R$ 100 milhões na construção de um polo intermodal ferroviário no município de Queimados (Rio de Janeiro). No entanto, os aportes no empreendimento poderão ultrapassar a casa dos R$ 500 milhões, quando somados os recursos da concessionária, do governo do Estado e de outros parceiros privados. As informações são do presidente da MRS, Eduardo Parente.
O executivo esteve ontem no Rio de Janeiro, onde assinou protocolo de intenções com o governador Sérgio Cabral e o prefeito da cidade da Baixada Fluminense, Max Lemos. O projeto, que começou no ano passado, com a compra do terreno pela companhia, terá suas obras iniciadas em 2014. "Em outubro do próximo exercício teremos os testes e em 2015 o começo das operações", garante o presidente da MRS.
A área total do empreendimento é de 700 mil metros quadrados e fica às margens da linha da MRS, a oito quilômetros da rodovia Presidente Dutra e a dois do Arco Metropolitano, que começa em Itaboraí e termina no porto de Itaguaí. O projeto deve gerar cerca de 300 empregos diretos e mais de mil indiretos, além de arrecadações de impostos.
O polo intermodal tem como principal objetivo impulsionar o transporte ferroviário de cargas no Brasil, já que por ele passarão contêineres, produtos siderúrgicos e cimento, ao invés de granéis e sólidos. Desse modo, conforme Parente, a previsão é que, com a nova malha, o tráfego seja reduzido em cerca de 500 caminhões por dia em direção ao terminal de Itaguaí.
"O grande diferencial do polo intermodal ferroviário de Queimados é a mudança na forma do transporte, que neste caso exige investimentos no sistema como um todo", explica. Por este motivo, os aportes virão não só da companhia, mas também de parceiros privados e do governo estadual.
Divisão - Os R$ 100 milhões da concessionária serão destinados à compra do terreno e às intervenções nos acessos, nos trilhos e no cruzamento das linhas, visando o aumento da capacidade dos trens. Já as inversões por parte de parceiros privados, de acordo com o presidente da MRS, deverão superar os R$ 300 milhões.
O empreendimento já conta com a participação das empresas MTO, companhia multimodal recentemente criada para o transporte de cargas de alto valor agregado, controlada pela GranEnergia, do grupo GranInvestimentos, e Cimento Tupi S/A, que utilizará a área para distribuição dos produtos de seus clientes.
Somente a MTO planeja investir R$ 330 milhões até 2020. Conforme publicado pela imprensa paulista, o transporte das mercadorias será feito em trens expressos e diários, utilizando 400 quilômetros de ferrovia da concessionária. Além disso, a parceria com a MRS prevê dois trens expressos por dia em cada sentido. Cada composição poderá levar até 88 contêineres por destino.
Tendência - A aposta no transporte de cargas por contêineres é cada vez maior no setor ferroviário brasileiro. Atualmente, a movimentação da MRS é dividida entre 75% relativo ao grupo de heavy haul, que engloba minério de ferro, carvão e coque, e 25% distribuídos entre os grupos de carga geral (siderúrgico, agrícolas, materiais de construção e contêineres, entre outros).
Dentro deste último grupo, os responsáveis pela maior fatia são os produtos siderúrgicos e os contêineres ficam com 5%. "Mas nossa meta com esse e outros projetos, é que daqui a dez anos, esta participação esteja ampliada em cinco vezes", diz Parente.
Para o setor ferroviário em geral, as expectativas são de que o transporte por contêineres também registre, nos próximos anos, crescimento significativo, segundo o presidente-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça.
"Para 2013, a previsão é que o número de TEUs (unidade padrão de contêiner) cresça para 300 mil, uma evolução de 24,5% em relação a 2012. Já em 2015, o aumento poderá chegar a 66%", afirmou Vilaça no início do mês, em São Paulo, durante a Intermodal, feira internacional de logística, transporte de carga e comércio exterior.
Nenhum comentário:
Postar um comentário